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Antônio Francisco Lisboa -
"O Aleijadinho"
Escultor:
1730(?)-1814.
QUANDO TUDO ACONTECEU...
O Aleijadinho
Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, nasceu por volta de 1738 (não existe
documento comprovando esta data). Filho do arquiteto português Manoel
Francisco Lisboa e de uma negra, escrava de sua propriedade, chamada Isabel.
De personalidade forte e perseverante, teve noções de música e latim, aprendeu
a ler, escrever, estudou desenho e arquitetura com os mestres da época. Em
1812 ficou totalmente paralítico e morreu pobre em 1814. Seu corpo está
enterrado no interior da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição. Antônio
Francisco Lisboa herdou o apelido de Aleijadinho devido a uma doença
misteriosa, popularmente conhecida na época como zamparina, que atacou seus
membros, atrofiando-os. A mutilação não abalou suas forças; seus escravos
prendiam os instrumentos em suas mãos. A doença é implacável. Cada vez mais
arredio, ele se esconde com a ajuda de seus leais escravos Maurício, Agostinho
e Januário. Executa belas obras em Sabará e Congonhas do Campo, consagrando-se
como o maior artista brasileiro do período colonial. Quando uma obra isolada
do mestre escultor está diante de nossos olhos, ficamos com a impressão de que
nela existe vida. Por volta de 1766 é contratado pela Ordem Franciscana de
Assis para construir a Igreja de São Francisco de Assis, sua obra-prima, na
qual consagra seu estilo rococó. Seu nome e sua fama correm entre os
aristocratas portugueses e de todos os lugares das Minas Gerais chegam
convites para o mestre.
Principais Obras
Igreja de São Francisco de Assis
Obra-prima do Aleijadinho, com pinturas de Manuel da Costa Ataíde. Todo o
conjunto é harmonioso, simples e belo. A portada da Igreja, em pedra-sabão, é
magnífica, e nos altares o toque do gênio. Esculturas nos tambores dos
púlpitos, em pedra-sabão, representando episódios bíblicos (1772); barrete da
capela-mor (1773-1774); projeto da atual portada (1774-1775); risco da tribuna
do altar-mor (1778-1779), retábulo da capela-mor (1790-1794) executados com a
colaboração dos entalhadores Henrique Gomes de Brito, Luís Ferreira da Silva
Correia; projeto de dois altares colaterais, consagrados a São Lúcio e Santa
Bona (executados com alterações por Vicente Alves da Costa, 1829).
Igreja Nossa senhora do Carmo
Modificações do projeto original (1770); altares laterais de Nossa Senhora
da Piedade (1807) e de São João Batista (1809); acréscimos dos camarins e
guarda-pós dos altares de Santa Quitéria e Santa Luzia.
Igreja de São José
Projeto do retábulo da Capela-mor (1773); modificações no risco da fachada
(1772).
Matriz Nossa Senhora do Pilar
Feitura de quatro cabeças de anjos, em madeira, para o andor da Irmandade
de Santo Antônio (1810), posteriormente adaptadas ao oratório da sacristia
(1865).
Chafariz do Pissarrão
Situado no Alto da Cruz (antiga Rua Larga), nas proximidades da Igreja de
Santa Ifigênia (1761).
Palácio dos Governadores
Risco em "sanguínea" do chafariz interno (1752).
Museu da Inconfidência
"Sala Aleijadinho": algumas esculturas e desenhos de projetos da Igreja de
S. Francisco de Assis de Ouro Preto e São João Del Rey.
O Aleijadinho em Congonhas do Campo
"O Barroco Mineiro é um fenômeno excepcional no qual uma arte grandiosa,
teatral, alcançou seu apogeu em Congonhas do Campo"
Num percurso de apenas duzentos metros em linha reta, na modesta cidade de
Congonhas do Campo, entre as montanhas de Minas Gerais, a milhares de
quilômetros dos grandes centros mundiais da civilização ocidental, acham-se
concentradas 78 esculturas que compõem o mais esplêndido conjunto de arte
barroca do mundo: são as 66 imagens no cedro dos Passos da Paixão e os 12
Profetas na pedra-sabão. Entre elas contam-se, no mínimo, 40 peças
consideradas obras-primas. Esse conjunto, executado no espaço de apenas dez
anos, de 1796 a 1805, por um só escultor, o Aleijadinho, e alguns oficiais de
seu atelier, faz parte de um conjunto barroco mais amplo, que abrange algumas
cidades da mesma região, tendo-se desenvolvido e florescido durante o curto
período do século 18, e envolvendo alguns poucos arquitetos e escultores. Este
é um fato único na História moderna da arte, tendo como precedente nas
culturas ocidentais somente na arte da Grécia Antiga.
O texto acima é um excerto de um artigo de autoria do Prof. Moacyr
Vasconcellos, publicado em "A Cidade dos Profetas", um informativo da Fundação
Municipal de Cultura e Turismo de Congonhas.
Os Passos da Paixão
Em 1790 as obras arquitetônicas do Santuário do Senhor Bom Jesus de
Matosinhos e do adro estavam concluídas. Em 1796 são contratadas as obras dos
Passos da Paixão e a execução dos Profetas, obras essas que constituem o mais
esplêndido conjunto da arte barroca mundial. Apesar do adro estar concluído, é
pelos Passos da Paixão que Aleijadinho inicia seu trabalho, o qual se estende
de agosto de 1796 a dezembro de 1799. Nesse período são talhadas as 66 figuras
em madeira, que seriam posteriormente dispostas em seis capelas: Ceia, Horto,
Prisão, Flagelação/Coroação de Espinhos. Cruz-às-Costas e Crucificação.
Os trabalhos de policromia se iniciaram em 1808, sendo executados por
Francisco Manuel Carneiro e Manoel da Costa Athayde.
Terminada e execução das imagens dos Passos da Paixão, Aleijadinho e seu
"atelier" iniciam as obras no adro do Santuário do Senhor Bom Jesus de
Matosinhos. O magnífico conjunto estatuário foi totalmente executado em menos
de cinco anos. Mesmo muito debilitado pela doença que o consumia e utilizando
largamente o trabalho do seu "atelier", Aleijadinho deixou em Congonhas, nas
imagens dos Profetas, a marca do seu gênio. Esta marca se percebe antes mesmo
de uma análise mais detalhada dos 12 profetas. Ela é visível na magnífica
integração das estátuas ao suporte arquitetônico constituído pelo adro, com
suas escadarias em terraços e imponentes muros de arrimo. Os blocos verticais
de pedra parecem brotar espontaneamente dos parapeitos que arrematam a parte
superior dos muros, contrapondo à linha horizontal dominante, modulações
rítmicas de poderosa força expressiva. As atitudes e os gestos individuais de
cada uma das estátuas são simetricamente ordenados com relação ao eixo da
composição. As correspondências não se fazem de forma geométrica, mas por
oposições e compensações de acordo com a lei rítmica do barroco. Um gesto de
aparência aleatória, quando visto isoladamente como ampla flexão do braço
direito do profeta Ezequiel, adquire extraordinária força expressiva quando
relacionado com seu prolongamento natural, constituído pelo braço esquerdo de
Habacuc.
Começa com a feitura da Ceia dos Passos.
Sessenta e seis figuras comporão as capelas.
Trinta e três de cada lado. Trinta e três! O número de graus da maçonaria.
Sete serão as capelas. Novamente o número simbólico, e estarão, ao final,
dispostas por tal forma, que para se as visitar, terá o passante que seguir em
ziquezaque, exatamente o modo de andar envieazado dos maçons, com o qual se
dão a conhecer uns aos outros. Mas fazem apenas seis capelas. ... À figura dos
legionários romanos coloca o nariz grande e adunco, como uma máscara de
teatro. Com isto, qualquer que os olhe ficará com raiva e também representa a
farsa do julgamento do Senhor, bem como a farsa do julgamento da Conjuração
Mineira. Judas tem as mãos por tal forma, que é um símbolo do aperto de mãos
dos Maçons. Não fora Silvério também um deles? Agora, o que diria aquele
pernicioso homem ao ver-se assim retratado?
...D.Francisca (Eulina, na literatura) também deve ficar eternizada. A
companheira do Dr. Cláudio (Cláudio Manoel da Costa). Pobre mulher! Pois eu a
porei de joelhos, mãos com as palmas estendidas em súplica.
Depois de muitos anos, mais ou menos no ano de 1.800, vem-lhe a encomenda dos
profetas do Adro. Doze profetas. Doze apóstolos, doze principais da Irmandade
Maçônica! Representarei o Grão-Mestre, o Venerável, o Companheiro, os
doutores, os militares. Todos. Pena não serem mais! Terei que escolher.
... Isaías é o principal profeta. Veio para anunciar à vinda do Cristo. ...
Segundo a própria palavra de Isaías ao Senhor, quando perguntara: "E quem nos
irá lá? Havia respondido Isaías: Aqui me tens a mim! Envia-me!" Também assim
fora o Tiradentes quem se oferecera para seguir pelo caminho como voz do
levante. ..._ Serás Isaías! O primeiro a abrir o adro da Igreja, o primeiro de
todos!
Ao lado de Isaías, seguindo a própria seqüência bíblica viria Jeremias.
Jeremias faz sua lamentações, tais como o Dr. Cláudio Manoel as fazia ao
confessor na prisão. E o fez com o manto dos doutores, a toga da sabedoria e o
barrete frígio de Mitra. Os detalhes quanto à sua posição na Maçonaria viriam
das posições ocupadas, dos gestos que fariam. Apôs ao profeta a cartela,
símbolo dos bastões maçônicos com os dizeres bíblicos: "Eu choro a derrota da
Judéia e a ruína de Jerusalém. E peço que queiram voltar ao meu Senhor".
... São cegos. Os pés estão certos! Era aquela mais uma simbologia maçônica,
só visível aos iniciados.
Baruc - Tomás Antonio Gonzaga
..._ Baruc! O primeiro dos exilados, aquele a quem tiraram a voz do esposo.
Bem... Dr. Tomás Antonio Gonzaga! Eu o vestirei com o manto dos magistrados, a
toga da sabedoria, o olhar de regojizo, pois sei que tu tiveste a tua esposa.
Alvarenga seria Ezequiel, sendo sóbrio, dando mensagens aos cativos, homem de
raciocínio, que procurava sempre convencer mais do que arrastar. Ezequiel se
juntava aos cativos do Rio Cobar, Alvarenga aos cativos do Rio das Mortes. Só
Alvarenga poderia ficar lado a lado de Tomás Antonio Gonzaga, mas Mestre
Lisboa o faria por tal forma a Ter o gesto significativo do Companheiro maçom:
a mão esquerda levantada entre o peito e o queixo.
Daniel era um profeta especial, um dos exilados da Babilônia. Predisse sonhos
e foi colocado na cova dos leões. Também Maciel não estivera na cova dos leões
da casa do visconde de Barbacena? E não saíra são e salvo para as terras da
África, depois de condenado à morte? A cartela de Daniel traz a inscrição
eterna: "A mandado do rei encerrado na cova dos leões, são e salvo escapou
pelo auxílio de Deus".
Frente ao profeta Daniel ficará Oséias. Sobre ele lê Aleijadinho as
explicações: "Foi enviado ao reino do norte, para anunciar o cativeiro
iminente. Houve um casamento simbólico de Oséias com uma decaída". Não fora
também Vidal Barbosa enviado ao reino do norte (América do Norte), junto com
Joaquim da Maia, para conseguir a ajuda de Jefferson (presidente americano)?
Tal ajuda não viera; mas haviam tentado.
Jonas fora engolido pelo peixe, isto é, pela cidade do Rio de Janeiro, cujo
escudo tinha um golfinho e fora salvo por Deus, pelo único modo possível, pela
morte. Jonas foi engolido pelo monstro e ficou escondido três noite e três
dias (os anos na prisão do Rio de Janeiro) no ventre do peixe.
Amós - Aleijadinho
... Eu serei Amós e que Deus me perdoe por isto. Eu sou tal como ele pobre,
com uma vida rigorosa, como num deserto. Também como Amós admoestei os ímpios
e maus, os perversos e as suntuosidades dos templos, gravando a advertência:
"Onde estiver vosso tesouro, aí estará o vosso coração". Não me colocarei
nenhum manto de doutor, nem toga, mas terei para mim a roupa simples do
artesão, do escultor, do pedreiro livre e estarei sorrindo para quem me vir,
diante do profeta Naum, como ele a me dizer às últimas palavras do seu livro:
"A tua destruição não está oculta, a tua chaga é muito maligna; todos os que
ouviram a tua fama bateram as palmas sobre ti; porque sobre quem não passou
sempre a tua malícia?"
Minha cartela dirá simplesmente: "Foi feito primeiro pastor e em seguida
profeta", pois profetizo que todos vós tornareis um dia a esta terra, como
heróis, e vos reconhecerão nestas pedras!
Na cartela de Naum ficou escrito: "Exponho qual castigo espera Nínive, depois
da recaída, digo que a Assíria deve ser destruída toda!".
Faltavam dois profetas que ficariam sempre em movimento, como em voz de
comando para o ataque, ou profetizando e argüindo os covardes e traidores.
Abdias havia dito: "Nem te postarás nas saídas e não encerrarás aos restos dos
seus habitantes no dia da sua tribulação..." Também Paula Freire não se postou
na saída nem prendeu os covardes. Uniu-se a eles.
Na cartela de Habacuc se gravará: "A ti, Babilônia, te ergo a ti, tirano
caldeu, mas a vós eu canto, Deus grande, em salmos". Era bem a atitude de
Oliveira Lopes, aquelas lamentações e queixas, que começavam por dizer "não há
mais Justiça, reclamando contra os portugueses e os americanos e os franceses
que não os tinham ajudado". Também Freire de Andrade, com o braço erguido aos
céus, apontava a defecção do povo da América do Norte, que falhara, quando o
Odail de todos era a república e irmandade em todos os cantos do mundo, para
uma só pátria, baseada na fraternidade, igualdade e liberdade!
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