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Sônia Coutinho
Contista premiada – Jabuti, pelo melhor libro de contos de 1979. Os venenos de Lucrécia e Status, para literatura erótica – Sônia Coutinho já teve suas histórias incluídas em cerca de 20 antologias, algumas publicadas no exterior. Autora de cinco livros de contos e uma novela, Atire em Sofia é seu primeiro romance. Jornalista e tradutora, Sônia nasceu na Bahia e mudou-se para o Rio em 1968, tendo trabalhado em vários jornais.
Traduziu cerca de 30 livros de autores como Doris Lessing, Carson McCullers, E. M. Forster e Graham Greene. “Uma das coisas mais desagradáveis é quando se toma ao pé da letra o que o escritor diz.
Meus personagens não são, necessariamente, meus porta-vozes nem alteregos. Mas claro que, quando escrevo, como todo uso experiências minhas como base para criar situações fictícias.” (Sônia Coutinho)
Acompanhe parte de uma entrevista dada por Sônia Coutinho a Simone Ribeiro para o jornal A TARDE.
SR – Como você encara o fato de estar incluída entre os autores estudados para o Vestibular e ser conhecida por adolescentes?
SC – Estou imensamente feliz. Inclusive porque Atire em Sofia, o livro adotado, é muito crítico. É um livro sobre a Bahia, mas não tem nada a ver com o clima tradicional de louvações à beleza e alegria naturais. Por causa disso, a escolha de Atire em Sofia foi muito lisonjeira para mim. E acho que é mais lisonjeira ainda, nesse sentido, para os próprios baianos – mostra como as cabeças mudaram. O livro, aliás, foi escrito na Bahia mesmo, em 1987/88, período em que interrompi meu jornal no Rio, a fim de ganhar tempo para a literatura, e aceitei um emprego aí.
SR – Qual a sua opinião sobre a ficção brasileira produzida dos anos 70 para cá?
SC – É uma ficção muito rica, mas foi sendo cada vez mais relegada. O público, de modo geral, tem se mostrado menos ligado e o espaço dado à literatura brasileira na imprensa nunca foi tão pequeno. O que vem nas capas são sempre os best-sellers e estrangeiros. Mas há suplementos culturais fora do eixo Rio-São Paulo que fazem um ótimo trabalho e abrem mais espaço para a boa literatura brasileira.
SR – Marcel Proust, Clarice Lispector, Vírgina Woolf, você se considera de certa forma herdeira dessa literatura mais intimista ou psicológica?
SC – Não acho que minha literatura seja “intimista”. Aliás, detesto essa palavra. A não ser que você se refira a textos bem trabalhados e até poéticos, mesmo quando o assunto é crime. Vêem elementos policiais em meus principais romances. Foi o caso de Os seios de Pandora.
Quanto a mim, acho que escrevi o livro mais para “desconstruir” o policial clássico, machista, criando uma figura feminina de investigação. No lugar da detetive, uma repórter. Já Atire em Sofia e O caso Alice são histórias de crime, embora claro que tenham outros elementos. São críticos, têm muito de “mágico”, sobrenatural mesmo e até toques históricos (em Atire em Sofia).
Já O jogo de Ifá é um pequeno romance “experimental”. Por outro lado, as personagens, na maioria mulheres, não estão mais trancadas no lar patriarcal, entregues ao seu “intimismo”, mas trabalham fora, se sustentam, moram sozinhas. E pagam um alto preço por isso, evidentemente. É a nova mulher brasileira, que apareceu no início dos anos 70, quando eu estreava em literatura, no Rio. Acho que uma contribuição da minha literatura foi dar voz a essa mulher.
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