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Trote na “bixarada” ficou démodé!
O trote é um “rito de passagem”. Até aí, tudo bem. Tem gente que até gosta da brincadeira. Outros preferem ficar longe dela. O trote de raspar os cabelos e pintar o rosto, sem agressão, sem forçar, ainda encontra espaço e é aceito por alguns “bixos” — nome dado pelos veteranos aos calouros. Mas é necessário também respeitar os que não querem passar por algo só por que você passou e achou legal.
De alguns tempos pra cá, pra não ficar na tradição dos cabelos raspados e da tintura no rosto, o pessoal começou a inventar moda. E moda feia. Os veteranos tiram o sapato do calouro e depois cobram um valor dele para o mesmo resgatá-lo, rasgam suas roupas, jogam neles, sem nenhuma responsabilidade, misturas químicas em que o resultado final geralmente trás problemas generalizados na pele, nos olhos, no corpo. Embriagam pessoas que não tomam bebida alcoólica, o “bixo” tem que rolar na areia, no óleo queimado, tudo a força. E o pano de fundo é sempre o mesmo; que tudo não passa de uma confraternização de um rito de passagem. Dizem até que se você não participar ficará fora da turma. Balela!
Trocando em miúdos: qualquer um que tente forçar a barra durante as brincadeiras e justificar os exageros pra cima do tal “rito de passagem” é démodé. Sem dizer que o aplicador de trotes do tipo está à mercê de regulamentos internos das universidades que variam entre suspensão e expulsão do mesmo.
Enfim, para acabar com essa “brincadeira”, as universidades tiveram que reinventar o trote, até o nome ganhou adjetivos: Trote Social, Trote Cidadão, Trote Cultural ou simplesmente e mais politicamente correto de “Recepção de Calouros”.
Projetos sociais, culturais e de responsabilidade social são apresentados, seja por um setor da universidade ou mesmo pelos centros ou diretórios acadêmicos. Isso sim é um ato integrador. O constrangimento de ações de mau gosto fica de fora e a solidariedade entra em campo. Essa é uma bela iniciativa para quem ingressa ou ao que já faz parte da universidade, afinal, precisamos em algum momento dessa nova fase despertar a criatividade e o senso crítico que tanto cobramos dos outros, do governo, das empresas.
Mais da metade das universidades brasileiras já adotou atividades solidárias. O número de ocorrências violentas caiu, mas ainda, infelizmente, mesmo com boas iniciativas, um grupo mínimo de pessoas mais exaltadas acaba inflamando outros e adotando atitudes extremas.
Já que dentro do campus o trote é proibido, os que insistem em burlar o politicamente correto, começam com as ações constrangedoras fora do campus. Até mesmo dentro dos ônibus. Uma pena.
Seja esperto. Receba com carinho seus futuros amigos. E tenha a certeza, mesmo o cara que quer passar pelo rito, vai preferir o tradicional, sem violência, sem humilhação e constrangimento, sem forçar a barra.
Por Marcos Masini - Jornalista. Escreve diariamente para o Blog Divã do Masini
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