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O Acadêmico de Direito e a Constituição

O Acadêmico de Direito e a Constituição


Alguns comemoram o dia da Constituição em 24 de fevereiro, data em que nossa primeira Carta magna republicana foi promulgada, em 1891. Outros aproveitam para lembrar da importância do nosso texto maior festejando sempre o aniversário da nossa atual Constituição cidadã, em 05 de outubro.

Já os estudantes de Direito, costumam comemorar a data da instalação dos dois primeiros cursos de Direito do país em 11 de agosto, inclusive com a tradicional prática da “pendura”, sendo esta data também utilizada para a celebração do dia do Advogado.


Entretanto, o calendário brasileiro de datas comemorativas, estabelece os dias 17 e 19 do mês de maio, respectivamente como os dias da Constituição (17) e do Acadêmico de Direito (19).
Aproveitando o fato de que são festejados em outras oportunidades, devemos aproveitar este momento, portanto, para uma reflexão sobre a atual situação destes homenageados do mês de maio.

Em 11 de agosto de 1827, foram criados os dois primeiros cursos de Direito em nosso país, um em São Paulo, outro em Olinda, com o propósito de formar uma classe de intelectuais brasileiros, com formação não apenas jurídica, mas também, política e filosófica, para ajudarem construir a nova nação independente que nascia.


Surgia então, o que vários historiadores identificam como “o país dos bacharéis”, pelo fato de que estes estudantes e os já profissionais do Direito, dominaram a cena política e cultural brasileira durante o fim do século XIX e o início do século XX, envolvendo-se e, por vezes, liderando movimentos importantes, tais como aqueles pela instalação da república e a favor da abolição da escravatura. Devemos ainda lembrar que vários dos Presidentes da era chamada de República velha, assim como muitos de nossos principais poetas, foram estudantes de direito, tendo ou não conquistado o grau de bacharel.

Apesar desta importância inicial, não há como negar que o elitismo caracterizou os primeiros cursos de Direito do país, que eram de difícil acesso aos membros de classes desfavorecidas economicamente.
Assim, com o passar do tempo e influenciados pelo liberalismo, e pelo ensino que se transformou em tecnicista, os acadêmicos de direito foram se distanciando dos ideais filosóficos e políticos que inspiravam as lutas de outrora por liberdade e por justiça social, abraçando o individualismo dos novos tempos.

Atualmente, o curso de direito deixou de ser elitista. Recebe estudantes de todos os níveis sócio-econômicos e culturais, em busca de adquirir ou ampliar os seus conhecimentos, voltados, em sua maioria, para uma melhor colocação no mercado de trabalho ou uma carreira que lhes proporcione situação econômica estável e ascensão social.
Muito embora sejam desejos legítimos, estes não deveriam ser os únicos, e nem mesmo os principais motivos a inspirar os acadêmicos.

Para vencer a estrutura alienante e individualista do ensino tecnicista que predomina nos cursos de direito do país, o estudante deve buscar inspiração nos ideais expressos em nossa atual Constituição cidadã, que define, dentre outros, a liberdade e a justiça social como valores supremos de nosso Estado, fundamentado na dignidade do ser humano.
Estes ideais e mais o desejo de transformar a realidade, ajudando a construir uma sociedade mais justa e solidária, diminuindo as desigualdades sociais, são aqueles que deveriam nortear o acadêmico de direito para fazê-lo retomar a posição de destaque que ele, um dia, possuiu no cenário nacional.

 

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