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Dissertação
Dissertação é o
fruto da abordagem teórica e analítica do tema. Dissertar é comparar,
associar, corroborar ou refutar idéias em torno de fenômenos, eventos ou
processos que nos são propostos pela vida. Um texto dissertativo pode ser
considerado como a discussão organizada de um problema, a exposição de idéias
e concepções. O autor expressa o que sabe ou julga saber a respeito de
determinado assunto. Utiliza-se geralmente da argumentação, com a qual o autor
procura converter o leitor através de declarações fundamentais.
Vimos que descrição requer exposição; a narração, uma seqüência de
acontecimentos; esta modalidade, dissertação exige reflexão critica. O
trabalho dissertativo é analise racional, objetiva onde as idéias devem ser
expostas com clareza. Para isso é necessário planejamento e elaboração,
contando com o conhecimento básico sobre o tema, já de posse do aluno.
O primeiro passo é a analise, momento em que se faz: levantamento do contexto,
localização do assunto e tomada de posição. É necessário refletir sobre o
assunto para que encontre argumentações claras na fundamentação da tese que se
vai defender, negar ou recusar.
A expressividade e inteligência são fatores importantes diante de qualquer
tema. As idéias apresentadas devem ser claras, objetivas, baseadas em fatos
concretos. Uma vez tomada a posição, tendo um ponto de vista deve-se
argumentar de modo coerente. Argumentar não é expor, explanar, explicar ou
interpretar somente, é muito mais, formar a opinião do leitor tentando
convencê-lo de que a razão, a verdade é nossa, em face de evidência das provas
e sob a luz de um raciocínio coerente e consistente.
Para convencer usamos de alguns tipos de evidência, que é certeza manifesta,
como fatos, exemplos, ilustrações, dados estatísticos, testemunhos. Com essas
provas fundamentam-se as declarações tomando cuidado para não haver
contradição no decorrer do trabalho. A estrutura caminha para a conclusão, que
é de suma importância, o fechamento das idéias.
É neste momento que a idéia núcleo se confirma. Antes era uma sugestão agora,
depois de todas argumentação ela se ratifica. A conclusão já vem definida
desde Aristóteles: “O que não admite nada além”. Ela “brota” naturalmente das
provas arroladas e dos argumentos apresentados. Consiste na colocação, em
termos claros, insofismáveis, da essência da proposição.
Concluindo: Dissertar é discutir assuntos, debater idéias, tecer
opiniões, delimitando um tema dentro de uma questão ampla e defendendo um
ponto de vista, por meio de argumentos convincentes. É um tipo de texto
lógico-expositivo - colocamo-nos criticamente perante alguma dimensão da
realidade e, mais do que isso, fundamentamos nossas idéias; explicitamos os
motivos pelos quais pensamos o que pensamos.
Principais características da Dissertação
a) Existem dois tipos de dissertação: a dissertação expositiva e a dissertação
argumentativa. A primeira tem como objetivo expor, explicar ou interpretar
idéias; a segunda procura persuadir o leitor ou ouvinte de que determinada
tese deve ser acatada. Na dissertação argumentativa, além disso, tentamos,
explicitamente, formar a opinião do leitor ou ouvinte, procurando persuadi-lo
de que a razão está conosco.
b) Observar a estrutura dos textos dissertativos é um bom momento de
aprendizagem. Recomenda-se tal exercício aos vestibulandos: ler editoriais e
artigos de jornais.
c) Na dissertação expositiva, podemos explanar sem combater idéias de que
discordamos. Por exemplo, um professor de História pode fazer uma explicação
sobre os modos de produção, aparentando impessoalidade, sem tentar convencer
seus alunos das vantagens e desvantagens deles. Mas, se ao contrário, ele
fizer uma explanação com o propósito claro de formar opinião dos seus alunos,
mostrando as inconveniências de determinado sistema e valorizando um outro,
esse professor estará argumentando explicitamente.
d) Para a argumentação ser eficaz, os argumentos devem possuir consistência de
raciocínio e de provas. O raciocínio consistente é aquele que se apóia nos
princípios da lógica, que não se perde em especulações vãs, no “bate-boca”
estéril. As provas, por sua vez, servem para reforçar os argumentos. Os tipos
mais comuns de provas são: os fatos-exemplos, os dados estatísticos e o
testemunho.
e) Anote idéias, em tópicos, apontando tudo o que lhe ocorrer sobre
determinado tema;
f) Escolha um ângulo de abordagem do tema;
g) Selecione as idéias anotadas anteriormente que sejam pertinentes ao ângulo
de abordagem que escolheu;
h) Articule as idéias principais entre si;
i) Junte as idéias principais com as secundarias;
j) Faça esquema de discussão:
• Levando em conta a progressão das idéias;
• Verificando a coerência dos métodos de argumentação;
k) Redija o texto e depois reveja a redação (gramática, pontuação, coerência,
estrutura do texto);
l) Numa dissertação, pode-se discutir idéias próprias ou de outros, isso é
indiferente. O fundamental é que as opiniões e idéias propostas sejam
discutidas e/ou comprovadas mediante argumentos pertinentes. Lembre-se de que
linguagem e pensamento estão indissoluvelmente ligados. Aprender a organizar e
tornar coerente um texto é aprender a pensar;
m) Evite os chavões, os lugares-comuns e as frases-feitas, porque revelam
pouca maturidade intelectual e falta de contato com a cultura erudita.
Assim toda dissertação resumidamente envolve:
• Introdução – Uma idéia núcleo, central, levantando um ou mais problemas a
serem discutidos. Quando se anuncia o ponto de vista sob o qual se vai
discutir o tema e as finalidades que se tem ao adotar esse ponto de vista e
não outro;
• Desenvolvimento – Exposição dos argumentos que vão provar ou fundamentar a
posição adotada em relação ao tema. Exposição coerente, clara e progressiva
das idéias principais (articuladas entre si) e das secundárias (articuladas
com aquelas);
• Conclusão – Geralmente é a resposta que se dá aos problemas levantados. As
vezes é possível organizá-la em torno de um resumo dos principais aspectos
discutidos no texto. Síntese rápida do que foi exposto e fecho conclusivo
articulado com o desenvolvimento e a introdução.
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