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Simplicidade
Originalidade na linguagem não significa pedantismo; pelo contrário. A palavra falada é de certa forma incompleta.
A mímica, os objetos à vista, as situações que falam por si, tornam a fala econômica, ficando a frase muitas vezes pelo meio, sem que isto comprometa o entendimento.
Já a palavra escrita procura modelos. Sua tendência é estar sempre atrasada em relação às necessidades expressivas.
Principalmente a cravejada de adjetivos, rechonchuda de advérbios, trôpega de possessivos, demonstrativos e artigos.
Os vocábulos de fraque e chapéu coco que se intrometem na comunicação diária - entrementes, alhures, outrossim, consoante, consubstanciar e quejandos - tiram-lhe a atualidade, atrasam a leitura e a compreensão, enchem-na de um ranço incompatível com a dinâmica de hoje.
Os telegramas custam caro, as rotativas imprimem o resultado do trabalho de centenas de pessoas, o tempo no rádio e na televisão é medido em cifras: um adjetivo enfeitando aqui, uma conjunção rara mostrando sapiência ali, são desperdício e tornam a comunicação pastosa, tiram-nos o prazer que poderíamos sentir ao ler um relatório.
O mundo moderno é muito rápido. A velocidade do presente não admite mais o ornamental na comunicação.
A não ser que tenhamos preocupações falsamente artísticas, a redação deve ser simples e objetiva.
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