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 Resumos >> Leitura obrigatória dos vestibulares!

Resumos das principais obras exigidas nos vestibulares de todo o Brasil!
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 Resumo de Iracema de José de Alencar

 

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Iracema Parte II - José de Alencar
 
Os dois guerreiros partiram sem se despedir de Iracema. Ao caminharem ainda no território de sua nação, à beira de um lago, Poti fincou no chão uma flecha de Martim e atravessou nela um goiamum que ele acabara de abater, sabendo que a índia, ao ver a seta daquele jeito, entenderia o sinal de que o esposo havia partido. Martim entrelaçou nela uma flor de maracujá. De fato, quando Iracema foi se banhar no dia seguinte, viu a flecha, entendeu seu significado e chorou. Voltou triste para a cabana. Todos os dias ela retornava e tinha confirmação de que Martim estava longe. Seus dias passaram a ser muito tristes. Numa dessas manhãs, ouviu o som da jandaia que a acompanhava quando morava entre os seus. Comoveu-se, arrependeu-se de havê-la deixado para trás e de novo a tornou sua amiga de todas as horas.
Os dois guerreiros retornaram da batalha, vitoriosos. Graças à participação de Martim, que atuou eficazmente, os pitiguaras venceram, pois, sem a cooperação da raça branca, haveria o empate das forças indígenas adversárias. De novo em sua cabana, Martim e Iracema se amaram como no início de seu relacionamento. Aos poucos, porém, ele voltou a se isolar triste, olhando para os horizontes infinitos do mar, com saudade de sua gente. Iracema se afastava, também triste. Martim sabia que, se voltasse para sua terra, ela o acompanharia; então, ele estaria tirando dela um pedaço de sua vida, que era a convivência com seus parentes e amigos nas selvas.
Martim negava que estivesse com saudade da namorada branca que deixara em sua terra, mas a tristeza de Iracema crescia porque ela não acreditava na negativa dele; então, a desconsolada índia prometia que sairia da sua vida tão logo nascesse o filho.
Um dia, apareceu no mar, ao longe, um navio dos guerreiros brancos que vinham aliar-se aos tupinambás para lutarem contra os pitiguaras. Poti e Martim armaram uma estratégia de defesa. Esconderam seus guerreiros e atacaram os inimigos de surpresa. A vitória foi retumbante. Enquanto Martim estava combatendo, Iracema teve sozinha o filho, a quem chamou de Moacir, filho da dor. Certa manhã, ao acordar, ela viu à sua frente o irmão Caubi, que, saudoso, vinha visitá-la, trazendo paz. Admirou a criança, porém surpreendeu-se com a tristeza da irmã, que pediu a ele que voltasse para junto de Araquém, velho e sozinho. De tanto chorar, Iracema perdeu o leite para alimentar o filho. Foi à mata e deu de mamar a alguns cachorrinhos; eles lhe sugaram o peito e dele arrancaram o leite copioso para voltar a amamentar. A criança estava se nutrindo, mas a mãe perdera o apetite e as forças, por causa da tristeza.
No caminho de volta, findo o combate, Martim, ao lado de Poti, vinha apreensivo: como estaria Iracema? E o filho? Lá estava ela, à porta da cabana, no limite extremo da debilidade. Ela só teve forças para erguer o filho e apresentá-lo ao pai. Em seguida, desfaleceu e não mais se levantou da rede. Suas últimas palavras foram o pedido ao marido de que a enterrasse ao pé do coqueiro de que ela gostava tanto. O sofrimento de Martim foi enorme, principalmente porque seu grande amor pela esposa retornara revigorado pela paternidade. O lugar onde se enterrou Iracema veio a se chamar Ceará.
Martim retornou para sua terra, levando o filho. Quatro anos depois, eles voltaram para o Ceará, onde Martim implantou a fé cristã. Poti se tornou cristão e continuou fiel amigo de Martim. Os dois ajudaram o comandante Jerônimo de Albuquerque a vencer os tupinambás e a expulsar o branco tapuia. De vez em quando, Martim revia o local onde fora tão feliz e se doía de saudade. A jandaia permanecia cantando no coqueiro, ao pé do qual Iracema fora enterrada. Mas a ave não repetia mais o nome de Iracema. "Tudo passa sobre a terra."
COMENTÁRIO
No século XIX, os condutores do Brasil se dividiam entre a origem portuguesa e os interesses nacionais. Aqueles que desejavam tornar o país uma grande nação não tinham um passado coerente, só esperavam o futuro, não sabiam como traçar o perfil de uma identidade brasileira. 
O indianismo romântico nasceu numa jovem nação libertada, que precisava "inventar" um passado heróico, mítico, lendário, lançar arquétipos de nacionalidade, encontrar um rosto que nos identificasse e nos distinguisse da Europa. Gonçalves Dias e Alencar fundaram a mitologia indianista num mundo edênico. Todavia, as raízes européias fizeram de nosso índio o "bom selvagem" de Rousseau, personagem de um povo colonizado dependente da Europa, em busca de auto-afirmação. Por isso se elaborou ma visão artificial de nossas origens e o perfil europeizante e cavalheiresco de nosso índio, situação satirizada pelos modernistas, principalmente Oswald de Andrade.
O indianismo de Alencar foi, portanto, uma proposta de valorizar o passado e de delinear o retrato do brasileiro: "Ubirajara", antes da efetiva colonização portuguesa, selvagens alheios a qualquer influência estrangeira; "Guarani", durante a colonização portuguesa, que foi desaparecendo por ação da natureza e pela promessa de outra raça (Ceci e Peri); "Iracema" cumpre esse objetivo de modo mais humano, menos épico, sob a forma de lenda apoiada sobre fundamento histórico (Alencar recorre ao século XVII para construir a lenda da fundação do povo brasileiro). O livro saiu publicado em 1865, com o nome "Iracema" e com a indicação: lenda do Ceará.
Parece ter-se inspirado Alencar no livro "Atala e René" (1801), do francês Chateaubriand, que, por sua vez, foi uma versão das histórias imaginadas na Europa de então: náufrago europeu apaixonado por alguma nativa americana, africana ou asiática. (No caso de Chateaubriand, a história passa-se na região do baixo Mississipi, no início da extinção dos índios natchez, localizados em Luisiana, região da América Francesa).
No prólogo, o próprio Alencar designou o livro como cearense, escrito dedicado aos cearenses por um cearense ausente. Ele oferece a seguinte fundamentação histórica da obra: em 1603, foi fundado o primeiro povoado colonial no Ceará, com o nome de Nova Lisboa, que veio a ser destruído pelos indígenas. Em 1608, reconstituiu-se a colonização numa expedição da qual participou Martim Soares Moreno, que ficou amigo de Jacaúna e Poti. Eles habitavam nas margens do rio Acaracu, mas acabaram estabelecendo-se nas proximidades do recente povoado, para protegê-lo contra os índios do interior e os franceses. Poti, que recebeu o nome cristão de Antônio Filipe Camarão, e Martim se celebrizaram por sua atuação na expulsão dos holandeses.
No epílogo, o autor afirmou ter sido sua intenção original construir um poema com o assunto. Contudo, iria ser um poema longo e talvez não compreendido pelos leitores. Acabou optando pelo romance, cujos erros da primeira edição ele gostaria de corrigir na segunda edição.
Trata-se de uma lenda do Ceará, pois realizou a fusão dos mitos indígenas e dos elementos da natureza. Exemplos de mitos: nascimento de Moacir, primeiro cearense, primeiro brasileiro, primeiro homem americano, resultado primeiro da mistura das raças índia e portuguesa; morte de Iracema; retorno de Martim; conversão de Poti.
Alencar profetizou o que não viu sobre a nação brasileira que ele fazia nascer em "Iracema": o filho da dor – ou seja, o brasileiro – só foi alimentado pela mãe à custa do próprio sangue dela, que morreu para que o filho vivesse e crescesse à imagem e semelhança do pai; as raças se uniriam sendo expulsas do paraíso inicial e se reequilibrando sem final feliz.Significado fundamental da lenda sobre o amor de Iracema e Martim: representação do processo de conquista e colonização do Brasil (o desejo, a sedução, o amor declarado, a morte de Iracema – do Brasil primitivo - , a sobrevivência de Martim – o elemento branco – e do filho – o brasileiro miscigenado).O argumento do livro pode assim ser resumido: os integrantes do casal-protagonista isolam-se de suas comunidades originárias ( a inspiração lírica de um idílio amoroso envolve componentes épicos e históricos).
"A história de amor foi tragada pelo tempo (Tudo passa sobre a terra), enquanto o discurso pede passagem para debater a questão da nacionalidade." (Eliana Yunes).
"Iracema" é um poema em prosa: no conteúdo, há o predomínio do lirismo na relação amorosa do casal protagonista, deixando em segundo plano a ação e abandonando o tom épico de "Guarani"; na forma, há linguagem sonora, plena de símiles (figuras de comparação) e de dípticos (símiles ampliados). A linguagem rompeu com padrões estilísticos e gramaticais portugueses, sobretudo pelo emprego acentuado do vocabulário tupi, esforço de criação de um romance tipicamente brasileiro. Esse brasileirismo de Alencar não se restringiu apenas à linguagem, ele pretendeu adequar as características gerais do Romantismo europeu a uma mitologia indígena-nacionalista, para representar as origens do país em seu processo de colonização.
Na segunda edição, Alencar afirmou : "O conhecimento da língua indígena é o melhor critério para a nacionalidade da literatura. Ele nos dá não só o verdadeiro estilo, como as imagens poéticas dos selvagens, os modos de seu pensamento, as tendências de seu espírito, e até as menores particularidades de sua vida. É nessa fonte que deve beber o poeta brasileiro; é dela que há de sair o verdadeiro poema nacional, tal como eu o imagino".

 

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