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Macunaíma
- Graciliano Ramos - Parte I
RESUMO DA OBRA
Macunaíma nasceu numa tribo amazônica. Lá passa sua infância, mas não é uma criança igual as outras do lugar. É um menino mentiroso, traidor, pratica muitas safadezas, fala muitos palavrões, além de ser extremamente preguiçoso. Tem dois irmãos, Maanape e Jiguê.
Vai vivendo assim a sua meninice. Cresce e se apaixona pela índia Ci, A Mãe do Mato, seu único amor, que lhe deu um filho, um menino morto. Depois da morte de sua mulher, Macunaíma perde um amuleto que um dia ela havia lhe dado de presente, era a pedra "muiraquitã". Fica desesperado com esta perda, até que descobre que a sua muiraquitã havia sido levada por um mascate peruano, Vesceslau Pietra, o gigante Piamã, que morava em São Paulo. Depois da descoberta do destino de sua pedra, Macunaíma e seus irmãos resolvem ir atrás dela para recuperá-la. Piamã era o famoso comedor de gente, mas mesmo assim ele vai atrás de sua pedra.
A história, a partir daí, começa a discorrer contando as aventuras de Macunaíma na tentativa de reaver a sua "muiraquitã" que fôra roubada pelo Piamã, um comerciante. Após conseguir a pedra, Macunaíma regressa para a sua tribo, onde após uma série de aventuras finais, finalizando novamente na perda de sua pedra. Então, ele desanima, pois sem o seu talismã, que, no fundo, é o seu próprio ideal, o herói reconhece a inutilidade de continuar a sua procura, se transforma na constelação Ursa Maior, que para ele, significava se transformar em nada que servisse aos homens, por isso, vai parar no campo vasto do céu, sem dar calor nem vida a ninguém.
ANÁLISE LITERÁRIA DA OBRA
LINGUAGEM
A linguagem é metafórica e postiça para a comunicação diária. No plano das aparências, esta primitividade é que adere a civilização urbana, mas no plano das intenções, Mário de Andrade satiriza a linguagem através de Macunáima, devido ao seu desajuste apresentando um propósito de colocar em ridículo a norma culta que não corresponde a realidade brasileira e sim à realidade Portuguesa.
No livro Macunaíma, encontramos a ausência de vírgulas, numa série enumerativa, normalmente se referindo às riquezas brasileiras. A ruptura da sintaxe e da pontuação que é uma característica do modernismo. Quando Mário de Andrade eliminou as vírgulas, ele estava usando o recurso do futurismo e ao mesmo tempo acrescentando a imaginação poética, que é a decodificadora das intenções poéticas, pois quem lê decodifica o pensamento.
HISTÓRIA
Este romance é escrito depois da Semana de Arte Moderna e está dentro da história da Literatura Brasileira na 1ª geração modernista que caracteriza com a preocupação da ruptura, rejeição da herança do passado.
Na mitologia indígena, tudo se transforma em alguma coisa, pois a morte não é encarada com o desaparecimento total. Já o modernismo pregava a modernidade, a liberdade de expressão, contestação do passado, pois o passado é apenas uma simples imitação do que lhes foram impostas. Há também o aparecimento da antropofagia através do personagem,
Piamã, comedor de gente.
Macunaíma é um romance nacionalista. Neste livro, a ausência de vírgulas e pontuação, é uma influência das vanguardas européias, causando efeito melódico e era o que pretendiam alcançar.
Mário de Andrade tentou explorar na Literatura uma idéia obsessiva, de modo que a superposição de 2 signos, formaria outro signo (música).
Nesta obra, apresenta o aspecto, do princípio que é o indianismo "Herói de nossa gente", semelhança com José de Alencar em Iracema.
O autor deixou indefinido o espaço e o tempo em que se passa a ação. A literatura moderna queria a origem popular e o apego as lendas não só com palavras, mas também com o modo de expressar: "No fundo do Mato- Virgem", expressão "fundo" designa fazenda, que é uma nomenclatura de onde ainda não penetrou a civilização, estando sem contato com a raça invasora.
O nome Macunaíma, que significa o grande mal, coisa ruim, já é o primeiro dado da sátira, de crítica, mas por outro lado tem "Herói de nossa gente", com tom profético ironizando, pois Cristo é o salvador. Isso aparece como um visão de um herói pícaro ou de um herói às avessas, pois a caracterização dos heróis em outras obras são lindos, belos e perfeitos e já em Macunaíma, os seus defeitos estão mais exaltados, ou seja, mais evidentes do que as suas qualidades.
A cor preta é insólito, ou seja, não é comum, devido ao fato de Macunáima não ser um índio comum. Quando Mário de Andrade retrata Macunaíma sendo de cor preta, ele conta a história brasileira, devido a fuga dos escravos que se misturaram com os índios, resultando no índio negro.
A ÚNICA LÓGICA DE MACUNAÍMA, É NÃO TER LÓGICA NENHUMA.
No nascimento de Macunaíma, a natureza foi narrada como se tudo tivesse parado para ver o menino nascer. Encontramos também neste episódio o verbo Parir, sendo que este verbo é utilizado para animais irracionais. Neste ponto, Mário de Andrade está usando o eufemismo, ou seja, a linguagem que parece querer acentuar ainda mais a feiura do personagem.
Macunaíma é um hipodigma (tipo ideal) do homem da América Latina, preguiçoso... Mário de Andrade procura colocar em primeiro plano os defeitos do personagem "Ai que preguiça!".
A leitura de Macunaíma é a visão da luta do colonizador e o colonizado. O índio é o colonizado e o colonizador é o antagonista. A mensagem deste livro faz referência a nossa cultura, que se afastou da sua origem, e com isso, o modernista aparece para tentar conscientizar as pessoas para voltar às origens e o amor a terra, sendo assim, Macunaíma é uma lenda amazônica.
Será feita, a seguir, a explanação de alguns capítulos do livro para que possamos dar uma idéia geral de alguns acontecimentos que foram destacados dentro da obra.
CAPÍTULO I
MACUNAÍMA
Este capítulo mostra o conflito de Macunaíma e Jiguê, mas Macunaíma rouba-lhe a mulher. Ele derrota o irmão não pela força e sim pela astúcia. Há também neste capítulo, vários elementos ligados ao folclore brasileiro, como por exemplo a pajelância (cerimônia que o pajê faz para curar alguém). Ocorre a mistura do folclore Africano com o índio. A transformação do índio lindo é característico dos contos de fadas ibéricas.
Encontramos as 3 fontes da origem do folclore brasileiro: 1) Fonte Africana; 2) Indígena; 3) ibérica.
CAPÍTULO II
MAIORIDADE
Neste capítulo ele torna a conquistar a mulher do irmão, consolidando o poder de Macunaíma sobre
Jiguê.
No 2º capítulo é a maioridade que é assegurada à Macunaíma com um balde de caldo de aipim e se transforma num homem adulto e neste capítulo também mata a mãe.
CAPÍTULO III
CI, MÃE DO MATO
Neste capítulo, conta a lenda dos índios da Amazônia. As Amazonas eram mulheres guerreiras que
serão chamadas de
Icamiabas. Um viajante espanhol encontrou estas índia guerreiras e deu origem ao Estado do Amazonas. Macunaíma tentou conquistá-la, apanhou muito e pediu ajuda aos irmãos, com esse auxílio, ele consegue conter a índia rainha do Amazonas e é aclamado como Imperador do mato. Estas índias não poderiam se casar mas esta índia se casa. Antes de ela se transformar numa estrela, ela dá a Macunaíma uma pedra que é chamada
"muiraquitã" e é esta pedra que impulsiona todo o restante do livro.
CAPÍTULO IV
BOIÚNA LUNA
Neste capítulo, Macunaíma correndo da Capri passeia pelo Brasil e encontra um bacharel do século XVI. Neste encontro, há um irrealismo temporário. Nesta corrida ele perde a
"muiraquitã", esta pedra pode representar a identidade do brasileiro. No fim desse capítulo, ele reza para o Negrinho do Pastoreiro para ajudá-lo a encontrar a pedra e este lhe conta o destino da
"muiraquitã". Negrinho do Pastoreiro lhe conta que a pedra está com Venceslau que morava na cidade de São Paulo, num local aristocrático.
Macunaíma decide então, procurar a sua pedra que pertenceu a sua mulher. Vai com os irmãos e desce para o Rio Araguaia, vai ao Rio Tietê e até a cidade de São Paulo. Lá em São Paulo o dinheiro que ele trouxe era pouco e precisava trabalhar. Macunaíma fica triste com isso.
Nesta aventura, ele é assassinado perto do Mercado, e é ressuscitado por Maanape e fica a espera da vingança. Ele se disfarça de francesa e foi travestido para ver se roubava a pedra de Venceslau, mas apanha dele.
CAPÍTULO V
PIAIMÃ
Neste capítulo começa a ação, pois aqui Macunaíma viaja para São Paulo atrás da sua pedra
Muiraquitã, que fora roubada por PIAIMÃ. Aqui também encontramos um trecho do texto que seria a lenda da origem das três raça.
A ORIGEM DAS TRÊS RAÇAS TAMBÉM TEM A SUA LENDA
"Uma feita a Sol cobrira os três manos duma escaminha de suor e Macunaíma se lembrou de tomar banho. Porém no rio era impossível por causa das piranhas tão vorazes que de quando em quando na luta pra pegar um naco de irmã espedaçada, pulavam aos cachos pra fora d'água metro e mais. Então Macunaíma enxergou numa lapa bem no meio do rio uma cova cheia d'água. E a cova era que-nem a marca dum pé-gigante. Abicaram. O herói depois de muitos gritos por causa do frio da água entrou na cova e se lavou inteirinho. Mas a água era encantada porque aquele buraco na lapa era marca do pezão do
Sumé, do tempo em que andava pregando o evangelho de Jesus pra indiada brasileira. Quando o herói saiu do banho estava branco, louro e de olhos
azuizinhos, água lavara o pretume dele. E ninguém não seria capaz mais de indicar nele um filho da tribo retinta dos
Tapanhumas.
Nem bem Jiguê percebeu o milagre, se atirou na marca do pezão do Sumé. Porém a água já estava muito suja da negrura do herói e por mais que Jiguê esfregasse feito maluco atirando água pra todos os lados só conseguiu ficar da cor do bronze novo. Macunaíma teve dó e consolou:
___Olhe, mano Jiguê, branco você ficou não, porém pretume foi-se e ante fanhoso que sem nariz.
Maanape então é que foi se lavar, mas Jiguê esborrifara toda a água encantada pra fora da cova. Tinha só um bocado lá no fundo e Maanape conseguiu molhar só a palma dos pés e das mãos. Por isso ficou negro bem filho da tribo dos
Tapanhumas. Só que as palmas das mãos e dos pés dele são vermelhas por terem se limpado na água santa. Macunaíma teve dó e consolou:
___Não se avexe, mano Maanape, não se avexe não, mais sofreu nosso tio Judas!
CAPÍTULO VII
MACUMBA
Neste capítulo temos o envolvimento com a questão religiosa. Na macumba fica claro que Macunaíma é filho de EXU e é rezado o Pai Nosso do diabo que é um dado curioso da nossa cultura popular.
CAPÍTULO VIII
VEI, A SOL
Há neste capítulo uma referência às filhas da terra. Macunaíma despreza as filhas da terra e se encanta com uma estrangeira.
Há também referência "MUITA SAÚVA, POUCA SAÚDE". Nesta colocação, Mário de Andrade nos mostra que dentro de uma sociedade agrária, qualquer praga que prejudique a produção, passa a prejudicar muito o povo. Dentro dessa estrutura, a saúva era considerada um mal nacional e a saúva é uma formiga cortadeira, ela corta as folhas e as árvores secam.
No começo do século houve uma campanha nacional de saúde. Entre muita saúva e pouca saúde, há uma rima, que passa a ser uma frase de efeito. Muita saúva é um problema nacional, que tinha na saúva como um inimigo. E a saúde está ligada aos problemas da saúde do povo.
Neste capítulo também decide voltar para São Paulo atrás de sua pedra
"muiraquitã".
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