|
»
No Moinho - Eça de Queirós
Paixão e realismo se misturam e enriquecem os contos de Eça de Queiroz.
Esta aparente contradição se explica se pensarmos que Eça era um admirador da poesia romântica de Victor Hugo e que, ao mesmo tempo, tinha como seus escritores favoritos Edgar Allan Poe, Baudelaire e Flaubert.
Nos seus contos Eça abusa dos adjetivos, das longas descrições, e de prosopopéias que povoam o nosso imaginário com “máquinas de escrever como uma boca alvar e desdentada”, ou sóis “sem sardas e sem rugas”.
O autor desenha tristezas, amores frustrados, dramas morais de todo tipo.
O contista se preocupa não só com a sonoridade do texto mas também com um bom enredo.
No conto “No Moinho” o problema é relativo à construção da protagonista.
A falta de coerência marca a trajetória que vai da “senhora modelo”, que vive para cuidar do marido inválido e dos filhos doentes, à mulher promíscua, que pensa em apressar a morte do marido e deixa os filhos sujos e sem comida até tarde.
Toda esta transformação de caráter provocada pelo simples beijo de um primo...
Apesar da variedade temática, pode-se perceber no conto de Eça uma grande preocupação com as dores humanas.
Seus personagens são em geral tristes, alguns céticos, outros ingênuos, mas sempre atormentados.
|