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 Resumos >> Leitura obrigatória dos vestibulares!

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 Resumo de Poemas escolhidos de Cecília Meireles

 

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Poemas escolhidos - Cecília Meireles - Parte I

Noções
Entre mim e mim, há vastidões bastantes
para a navegação dos meus desejos
afligidos.
Descem pela água minhas naves
revestidas de espelhos.
Cada Lâmina arrisca um olhar, e investiga
o elemento que a atinge.
Mas, nesta aventura do sonho exposto à
correnteza,
só recolho o gosto infinito das respostas
que não se encontram.
Virei-me sobre minha própria experiência,
e contemplei-a.
Minha virtude era esta errância por
mares contraditórios,
e este abandono para além da felicidade e
da beleza.
Ó meu Deus, isto é que é alma:
qualquer coisa que flutua por este
corpo efêmero e precário,
como o vento largo do oceano
sobre a areia passiva e inúmera...

Canção
Pus meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e meu navio chegue ao fundo
e meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas coordenadas,
meus olhos secos como pedras
e minhas duas mãos quebradas.

Retrato
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim
magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem
força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem
se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?

Fio
No fio da respiração,
rola a minha vida monótona,
rola o peso do meu coração.
Tu não vês o jogo perdendo-se
como as palavras de uma
canção.
Passas longe, entre nuvens
rápidas,
com tantas estrelas na mão...
- Para que serve o fio trêmulo
em que rola o meu coração?

Motivo
Eu canto porque o instante
existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou se desfaço,
- Não sei, não sei. Não sei se
fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é
tudo.
Tem sangue eterno e asa
ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

Ou isto ou aquilo
Ou se tem chuva ou não se tem sol,
ou se tem sol ou não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
Quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois
lugares!
Ou guardo dinheiro e não compro doce,
ou compro doce e não guardo dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aqui!

Palavras
Espada entre flores,
rochedo nas águas,
assim firmes, duras,
entre as coisas fluídas,
fiquem as palavras,
as vossas palavras.
Pois se por acaso
dentro dos sepulcros
acordassem as almas
e em sonhos confusos
suspirassem rumos
de histórias passadas
e houvesse um tumulto
de ânsias e de lágrimas.
- lembrassem as lágrimas
caídas no mundo
nas noites amargas
cercadas dos muros
das vossas palavras.
Todas as palavras.
Nos espelhos puros
que a memória guarda,
fique o rosto surdo,
a música brava
do humano discurso.
De qualquer discurso.
Só de morte exata
sonharão os justos,
saudosos de nada,
isentos de tudo,
pascendo auras claras,
livres e absolutos,
nos campos de prata
dos túmulo fundos.
No meio das águas,
das pedras, das nuvens,
verão as palavras:
estrelas de chumbo,
rochedos de chumbo.
A cegueira da alma.
O peso do mundo.
Adeus, velhas falas
e antigos assuntos!

 

Continua Parte II

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