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Antologia Poética -
Mário Quintana
Despreocupado em relação à crítica, Mário Quintana fazia poesia porque "sentia necessidade", segundo suas próprias palavras. Em sua poesia há um constante travo de pessimismo e muito de ternura por um mundo que, parece, lhe é adverso.
A poesia de Mário Quintana se caracteriza por um profundo humanismo, no conteúdo, e na forma, por uma "difícil simplicidade". Ternura, melancolia, intimismo, misticismo, humor irônico (para disfarçar o sentimentalismo), nostalgia da infância, de pureza - são os motivos de seu mundo poético.
A facilidade com que se exprime é ilusória: nada existe aí parecido com soluções fáceis. É o artista consciente das virtualidades expressivas de seu instrumento, do verso e da língua.
Atraído pelo realismo mágico ou fantástico, por visões oníricas ou surrealistas, Mário Quintana procura comunicar esse mundo supra-real mediante uma grande economia, mas também grande eficiência de meios.
Consegue-o com o poder sintético das imagens, metáforas, sinestesias, associações insólitas e outros tantos recursos da poesia moderna.
Textos escolhidos:
O Morto
Eu estava dormindo e me acordaram
E me encontrei, assim, num mundo estranho e louco...
E quando eu começava a compreendê-lo
Um pouco,
Já eram horas de dormir de novo!
Minha Canção
Minha terra não tem palmeiras ...
E em vez de um mero sabiá,
Cantam aves invisíveis
Nas palmeiras que não há.
Minha terra tem refúgios,
Cada qual com a sua hora
Nos mais diversos instantes ...
Mas onde o instante de agora?
Mas a palavra "onde"?
Terra ingrata, ingrato filho,
Sob os céus de minha terra
Eu canto a Canção do Exílio.
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