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Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá -
Lima Barreto
Narrado por Augusto Machado, o romance propõe a traçar um esboço de biografia de Gonzaga de Sá, amigo do narrador, que vai alternando o relato biográfico com suas próprias reflexões sobre a vida e os homens, com a denúncia das mazelas da vida brasileira, com a crônica mordente a sociedade carioca.A comercialização da cultural; a linguagem descuidada dos jornais; os falsos intelectuais que só sabiam mostrar o radicalismo de suas convicções nas mesas dos cafés, macaqueando idéias e tiques da cultura
francesa.
A Abolição que sem realizar as esperanças dos negros, prolongou as agruras dos mestiços; a frustração da República a serviço da oligarquia, apoiada numa burocracia alienada, num militarismo estreito e numa imprensa impotente, quando não venal- eis o pano de fundo das reminiscências que o céptico e desencantado Augusto Machado vai traçando do amigo Gonzaga de Sá.
A oposição ao estilo oficial, ao purismo das gramáticas normativas, ao pedantismo, já se manifesta no cacófato ostensivo do título do romance- M.J.- ("emijota") e se desdobra na aguda percepção da fragilidade da vida literária de então.
Observe esta reflexão de Gonzaga de Sá, falando pelo próprio Lima Barreto:"A nossa emotividade literária só se interessa pelos populares do sertão, unicamente porque são pitorescos e talvez não se possa verificar a verdade de suas criações.
No mais, é uma continuação do exame de português, uma retórica mais difícil, a se desenvolver por este tema sempre o mesmo: Dona Dulce, moça de Botafogo em Petrópolis, que se casa com o Dr. Frederico.
O comendador seu pai não quer porque o tal Dr. Frederico, apesar do doutor, não tem emprego. Dulce vai à superiora do colégio de irmãs. Esta escrevera mulher do ministro, antiga aluna do colégio, que arranja um emprego para o rapaz. Está acabada a história.
É preciso não esquecer que Frederico é moço pobre, isto é, o pai tem dinheiro, fazenda, ou engenho, mas não pode dar uma mesada grande.Está aí o grande drama de amor em nossas letras, e o tema de seu ciclo literário.
Quando tu verás, na tua terra, um Dostoiévski, uma George Eliot, um Tolstoi - gigantes destes em que a força de visão, o ilimitado de criação, não cedem o passo à simpatia pelos humildes, pelos humilhados, pela dor daquelas gentes donde às vezes não vieram- quando?"
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