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Absoluto
Na filosofia moderna, a noção
de absoluto confunde-se com a de totalidade e de fundamento do real, seja ela
concebida de um ponto de vista idealista ou materialista. A reflexão sobre o
absoluto tem constituído a tarefa básica de todas as filosofias, seja para
tomá-lo como postulado ou, como acontece na analítica contemporânea, para
afirmar a impossibilidade de emitir juízo algum sobre ele.
A determinação do conceito de
absoluto e o estabelecimento de sua relação com a realidade sensível é um dos
problemas fundamentais da história da filosofia.
Do ponto de vista metafísico, o absoluto seria, segundo Aristóteles, "o que
existe e subsiste em si e por si", ou seja, o motor imóvel aristotélico, causa
de todas as causas, que, como fundamento último da realidade, não é afetado
pelas leis desta.
O absoluto, assim concebido como pura transcendência, não pode ser definido
positivamente. Pode-se dizer que o absoluto não tem causas, pois se as tivesse
dependeria de outra coisa; não tem forma, pois seria determinado por ela; e
que nada existe fora dele, pois nesse caso não seria absoluto.
Essa concepção
de absoluto se encontra nos fundamentos do pensamento medieval, na teologia negativa, que identifica o absoluto com Deus, de
quem só se pode saber o que não é e não o que é. No século XV, Nicolau de Cusa afirmava, que "o conhecimento da verdade absoluta transcende nosso
entendimento finito" e que "Deus se entende incompreensivelmente".
A concepção de absoluto como entidade substantiva diferente de Deus aparece no
idealismo alemão, no século XVIII. Kant afirma que o fundamento último da
razão tem que ser absolutamente incondicionado. O absoluto é o fundamento
último da razão e esta, da realidade.
Fichte levou a idéia de absoluto ao extremo subjetivismo, identificando-o com
o eu universal. Para Friedrich Schelling, o absoluto como fundamento
universal da realidade, que contém em si mesmo seu princípio espiritual. A
unidade entre sujeito e objeto proposta por Schelling, que Hegel qualificou de
"indiscriminada", foi a base da crítica hegeliana a sua concepção de absoluto.
Nenhuma dessas concepções metafísicas sobre o absoluto conseguiu solucionar o
problema de sua relação com o intelecto. Hegel tentou resolvê-lo concebendo a
razão humana como um capítulo ou espécie de outra razão superior, a do
espírito absoluto, que se realiza a si mesmo no tempo, mediante um processo
dialético, de natureza lógica, que é também histórico.
O
protagonista do processo é o próprio espírito absoluto, que pensa a si mesmo e
faz culminar o processo com a consciência absoluta de si mesmo. As idéias de
Hegel sobre o absoluto foram o ponto de partida para a obra de outros
pensadores, como o britânico F. H. Bradley e o americano Josiah Royce.
Com uma abordagem materialista ou idealista, a noção de absoluto foi tentada
pelas mais diversas correntes de pensamento filosófico, desde os
pré-socráticos, com seu princípio monista, até Schopenhauer, com o conceito de
vontade cega, passando pela idéia de substância, formulada por Spinoza, e pelo
materialismo dialético, próprio da filosofia marxista.
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