|
Cosmologia
A filosofia
retomando as questões postas pelo mito, é uma explicação racional da origem e
da ordem do mundo. A filosofia nasce como racionalização e laicização
(influências religiosas) da narrativa mítica, superando-a e deixando-a como
passado poético e imaginário.
A origem e a ordem do mundo são, doravante,
naturais. Aquilo que, no mito, eram seres divinos (Urano, Gaia, Ponto)
tornam-se realidades concretas e naturais: céu, terra, mar. Aquilo que no
mito, aparecia como geração divina do tempo primordial surge, na filosofia,
como geração natural dos elementos naturais.
No início da filosofia, tais
elementos ainda são forças divinas. Não são antropomórficas, mas são divinas,
isto é, superiores à natureza gerada por eles e superiores aos homens que os
conhecem pela razão; divinas porque eternas ou imortais, porque dotadas do
poder absoluto de criação e porque reguladoras de toda a Natureza.
A teogonia narra, por meio das relações sexuais entre os deuses, o nascimento
de todos os deuses, titãs, heróis, homens e coisas do mundo natural.
A cosmogonia narra a geração da ordem do mundo pela ação e pelas relações
sexuais entre forças vitais que são entidades concretas e divinas. Ambas, teogonia e cosmogonia, são genealogias, são gênesis, nascimento, descendência,
reunião de todos os seres criados, ligados por laços de parentescos.
A cosmologia — forma inicial da filosofia nascente — é a explicação da ordem
do mundo, do universo, pela determinação de um princípio originário e racional
que é a origem e causa das coisas e de sua ordenação.
A filosofia, ao nascer como cosmologia, procura ser a palavra racional, a
explicação racional, a fundamentação pelo discurso e pelo pensamento da origem
e ordem do mundo, isto é, do todo da realidade, do ser.
Os primeiros filósofos não pretenderam explicar apenas a origem das coisas e
da ordem do mundo, mas também e sobretudo as causas das mudanças e repetições,
das diferenças e semelhanças entre as coisas, seu surgimento, suas
modificações e transformações e seu desaparecimento ou corrupção e morte.
De modo sumário, podemos apresentar os traços principais da atitude filosófica
nascente:
- tendência a racionalidade: a razão é tomada como critério de verdade, acima
das limitações da experiência imediata e da fantasia mítica
- busca de respostas concludentes: colocado um problema, sua solução é sempre
subentendida à discussão e à análise crítica, o discurso deve comprovar ,
demonstrar e garantir o que é dito
- ausência de explicações preestabelecidas e, portanto, exigência de
investigação para responder os problemas
- tendência à generalização, isto é, oferecer explicações de alcance geral
percebendo, sob a variação e multiplicidade as coisas e fatos singulares.
|