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Estruturalismo
Corrente de pensamento que
adota a estrutura — um conjunto de elementos relacionados entre si e com o
todo — como conceito teórico e metodológico essencial. O estruturalismo começa
no início do século XX com o trabalho do lingüista suíço Ferdinand de
Saussure, que caracteriza a linguagem como uma estrutura auto-suficiente,
formada por elementos cuja existência e o valor resultam da sua disposição nos
textos ou na fala. Mais tarde torna-se uma das principais correntes das
ciências humanas.
Na filosofia, o estruturalismo não chega a ser uma escola com contornos
definidos, mas teve grande difusão por levar à compreensão do conjunto dos
fatos de forma mais abrangente. A idéia espalhou-se como modelo de pensamento
especialmente na França.
Os estruturalistas não costumam limitar-se aos mesmos esquemas abstratos:
importa a maneira particular como cada contexto estudado se organiza e como as
estruturas são percebidas por dentro. Michel Foucault, por exemplo, em muitas
ocasiões foi considerado estruturalista, embora ele mesmo o negasse.
Nesses esquemas — que algumas vezes tendem para uma forma matemática, mas
geralmente têm mais semelhança com as estruturas da linguagem —, o fundamental
é a idéia de que o objeto de estudo é um conjunto organizado de elementos, com
forte sentido de unidade nessa organização.
Na década de 50, a idéia de estrutura ganhou grande importância nas
ciências humanas, especialmente a partir da antropologia de Claude
Lévi-Strauss. Para ele, o conjunto das relações em uma sociedade incide de
algum modo sobre cada um de seus membros.
Assim, o antropólogo que quisesse estudá-la deveria viver um tempo como um de
seus membros para poder percebê-la de dentro.
Mas, ao mesmo tempo, deveria imaginar-se de fora e construir um esquema
abstrato de como essas relações se organizavam - que representaria a estrutura
da sociedade.
Na psicologia, a Teoria da Gestalt costuma ser chamada também de
estruturalista por conceber as percepções em cada momento como um todo
organizado, ou estruturado, que deve ser representado de maneira que facilite
sua compreensão.
Na história, os estruturalistas não se interessam por grandes fatos nem pelo
seu processo de desenvolvimento no tempo como, por exemplo, a dialética
materialista.
Consideram mais importante a estrutura particular de cada contexto histórico,
que, dependendo do pesquisador, pode ou não se aproximar das infra-estruturas
econômicas e superestruturas culturais com que o marxismo trabalha.
A tendência é pensar que as mudanças históricas ocorrem como deslocamento de
uma estrutura para outra, como se uma nova estrutura começasse a ser
estabelecida enquanto a anterior se fosse desmantelando.
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