|
Ética
A partir de Sócrates, a
filosofia passa a se ocupar de problemas relativos ao valor da vida, ou seja,
das virtudes. Aristóteles é o primeiro a organizar essas questões. Em sua obra
destacam-se os estudos da relação entre a ética individual e a social e entre
a vida teórica e a prática. Ele também classifica as virtudes, a justiça, a
amizade e os valores morais derivam dos costumes e servem para promover a
ordem política. A sabedoria e a prudência estão vinculadas à inteligência ou à
razão.
Em filosofia, é a área que estuda os valores morais. Reflete sobre o bem e o
mal, o que é certo ou errado e procura responder, por exemplo, se os fins
justificam os meios ou os meios justificam os fins.
Ética cristã – Na Idade Média predomina a ética cristã, impregnada de
valores religiosos e baseada no amor ao próximo, que incorpora as noções
gregas de que a felicidade é um objetivo do homem e a prática do bem, um meio
de atingi-la. Para os filósofos cristãos, a natureza humana tem destino
predeterminado e Deus é o princípio da felicidade e da virtude. Os critérios
de bem e mal estão vinculados à fé e à esperança de vida após a morte.
Ética iluminista – Entre a Idade Média e a Moderna, o italiano Nicolau
Maquiavel rompe com a moral cristã, que impõe os valores espirituais como
superiores aos políticos. Defende a adoção de uma moral própria em relação ao
Estado. O que importa são os resultados, e não a ação política em si. Por
isso, considera legítimo o uso da violência contra os que se opõem aos
interesses estatais. Maquiavel influencia o inglês Thomas Hobbes (1588-1679) e
o holandês Benedito Spinoza (1632-1677), pensadores modernos extremamente
realistas no que se refere à ética.
A partir do século XVIII, o francês Jean-Jacques Rousseau e os alemães
Immanuel Kant e Friedrich Hegel são os principais filósofos a discutir a
ética. Segundo Rousseau, o homem é bom por natureza e seu espírito pode sofrer
aprimoramento quase ilimitado. Para Kant, ética é a obrigação de agir segundo
regras universais, comuns a todos os seres humanos por ser derivadas da razão.
O fundamento da moral é dado pela própria razão humana: a noção de dever. O
reconhecimento dos outros homens, como fim em si e não como meio para alcançar
algo, é o principal motivador da conduta individual.
Hegel divide a ética em subjetiva ou pessoal e objetiva ou social. A primeira
é uma consciência de dever; a segunda, formada por costumes, leis e normas de
uma sociedade. O Estado reúne esses dois aspectos em uma "totalidade ética".
Nietzsche critica a moral tradicional, derivada da religião judaico-cristã,
pelo fato de subjugar os instintos e as paixões à razão. Essa é a "moral dos
escravos", que nega os valores vitais e promove a passividade e o conformismo,
resultando no ressentimento. Em oposição a ela, propõe a "transvaloração de
todos os valores", que funda a "moral dos senhores", preconizando a capacidade
de criação, de invenção, de potência. O ser humano que assim consegue
superar-se é o super-homem, o que transpõe os limites do humano.
Ética contemporânea – A valorização da autonomia do sujeito moral leva
à busca de valores subjetivos e ao reconhecimento do valor das paixões, o que
acarreta o individualismo exacerbado e a anarquia dos valores. Resulta ainda
na descoberta de várias situações particulares com suas respectivas morais:
dos jovens, de grupos religiosos, de movimentos ecológicos, de homossexuais,
de feministas, e assim por diante.
Essa divisão leva ao relativismo moral, que, sem fundamentos mais profundos e
universais, baseia a ação sobre o interesse imediato. É dentro dessa
perspectiva que o filósofo inglês Bertrand Russell afirma que a ética é
subjetiva, não contendo afirmações verdadeiras ou falsas. Defende, porém, que
o ser humano deve reprimir certos desejos e reforçar outros se pretende
atingir a felicidade ou o equilíbrio.
Como reação a essas posições, o novo iluminismo, representado por Jürgen
Habermas, desenvolve a Teoria da Ação Comunicativa, dentro da qual fundamenta
a ética discursiva, baseada em diálogo, por sujeitos capazes de se posicionar
criticamente diante de normas. É pelo uso de argumentos racionais que um grupo
pode chegar ao consenso, à solidariedade e à cooperação.
|