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Fenomenologia
Corrente filosófica iniciada
pelo filósofo e matemático alemão Edmund Husserl que pretende estabelecer um
método de fundamentação da ciência e da filosofia, esta última como ciência
rigorosa. Baseia-se no conceito de fenômeno — aquilo que é percebido pela
consciência — para investigar a vida perceptiva: como a percepção torna
possível a consciência dos objetos do mundo; como atos subjetivos, o juízo e a
memória, por exemplo, podem ser examinados por uma faculdade superior da
própria consciência, chamada de eu transcendental, responsável pela síntese
que torna possível a apreensão de objetos. A primeira grande obra em que
aparecem os frutos do método fenomenológico é Investigações Lógicas.
Hegel pensa sobretudo na vida mais viva, a que não tolera a fixação, o
endurecimento, nem a repetição monótona.
A sua obra Fenomenologia do espírito é um projeto completamente inédito:
descreve o processo típico da formação da consciência.. Trata-se de expor a
seqüência das experiências indispensáveis que, a partir de um primitivo estado
de torpor, fazem ascender o homem ao pensamento filosófico moderno.
A investigação deve ater-se ao modo como as coisas aparecem ao homem, como ele
unifica a multiplicidade de aparições e como projeta significações sobre os
objetos percebidos. Para o fenomenólogo, não existe a consciência pura, mas
sempre a "consciência de alguma coisa". Esse conceito, fundamental para a
fenomenologia, é chamado de intencionalidade.
Os grandes temas da fenomenologia são questões clássicas da filosofia desde
Descartes. Por isso uma das principais obras de Husserl é uma discussão da
obra do filósofo francês: Meditações Cartesianas. A fenomenologia serve de
fonte a vários filósofos, em especial aos ligados ao existencialismo.
O filósofo alemão Martin Heidegger utiliza a fenomenologia em sua maior obra,
Ser e Tempo, para estudar a essência do ser, a temporalidade e o sujeito
sempre em um contexto. É na França, porém, que a fenomenologia alcança maior
sucesso, por causa dos existencialistas. Filósofos como Jean-Paul Sartre e
Maurice Merleau-Ponty usam o método para o estudo das estruturas
da percepção, da consciência e da imaginação.
A atenção dispensada ao olhar, à percepção, à imaginação, às coisas e ao outro
faz o método fenomenológico ir além das fronteiras da filosofia. Fala-se hoje
de uma sociologia, uma psicologia e uma teoria literária fenomenológicas. O
método volta-se principalmente para as artes, nas quais proporciona um novo
modo de consideração das obras artísticas.
O percurso da Fenomenologia nos conduz a 3 níveis de expansão da consciência:
- da indistinção à razão: toda a consciência surge de uma confusão
primeira com a coisa sentida, erguendo-se contra ela e negando-a – a
consciência percebe então coisas, representações compostas de sensação e de
pensamento. Eleva-se, em seguida, a um grau mais elevado, ao determinar
conceitualmente as coisas. Descobrirá mais tarde as leis que a regem. O gênero
humano, seja num empreendimento original, seja numa revisão, efetua sempre
esta ascensão que, segundo Hegel, o conduz da certeza sensível ao
entendimento.
- a experiência da vida social: O desejo esbarra noutro desejos. A
consciência encontra outras consciências, entra em conflito com elas, luta
para se fazer reconhecer e, no termo do combate, cai na servidão ou conquista
o domínio. A atenção de Hegel volta-se agora para a sociedade.
- As superestruturas: designamos desta forma o florescimento de formas
espirituais que desabrocham no fim da Fenomenologia. O homem culto – a
consciência filosófica – ressuscita em pensamento e congrega sob a sua
autoridade os espíritos de todos os povos, dispersos no tempo e no espaço.
A Fenomenologia do espírito é a descrição minuciosa deste constante movimento
da consciência: estar voltada para fora de si mesma, para aquilo que ela supõe
estar além do saber, enquanto penosamente vai percebendo que este tão almejado
lado de fora só é acessível dentro do saber, enquanto vai reencontrando o
outro como o outro dela mesma.
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