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Filosofia Clássica
A filosofia da Grécia antiga,
de 470 a.C. a 320 a.C., teve nos sofistas e em Sócrates seus principais
expoentes. Eles se distinguem pela preocupação metafísica, ou procura do ser,
e pelo interesse político em criar a cidade harmoniosa e justa que tornasse
possível a formação do homem e da vida de acordo com a sabedoria. Esse período
corresponde ao apogeu da democracia e é marcado pela hegemonia política de
Atenas.
Sócrates é tradicionalmente considerado um marco divisório da história da
filosofia grega. Por isso, os filósofos que o antecederam são chamados
pré-socráticos e os que o sucederam, de pós-socráticos. O próprio Sócrates não
deixou nada escrito, e o que se sabe dele e de seu pensamento vem dos textos
de seus discípulos e de seus adversários.
Etimologicamente, o termo sofista significa sábio. Entretanto, com o decorrer
do tempo, ganhou o sentido de impostor, devido, sobretudo, às críticas de
Platão.
Os sofistas, como Protágoras de Abdera e Górgias de Leontinos, são educadores
pagos pelos alunos. Pretendem substituir a educação tradicional, destinada a
preparar guerreiros e atletas, por uma nova pedagogia, preocupada em formar o
cidadão da nova democracia ateniense. Com eles, a arte da retórica - falar bem
e de maneira convincente a respeito de qualquer assunto - alcança grande
desenvolvimento.
Sócrates desloca a reflexão filosófica da natureza para o homem e define, pela
primeira vez, o universal como objeto da ciência. Dedica-se à procura metódica
da verdade identificada com o bem moral. Seu método se divide em duas partes.
Pela ironia — do grego eironéia, perguntar — ele força seu interlocutor a
reconhecer que ignora o que pensava saber. Descoberta a ignorância, tenta
extrair do interlocutor a verdade contida em sua consciência (método
denominado maiêutica).
Platão, discípulo de Sócrates, afirma que as idéias são o próprio objeto do
conhecimento intelectual, a realidade metafísica. Para melhor expor sua
teoria, utiliza-se de uma alegoria, o mito da caverna, no qual a caverna
simboliza o mundo sensível, a prisão, os juízos de valor em que só se percebem
as sombras das coisas. O exterior é o mundo das idéias, do conhecimento
racional ou científico. Feito de corpo e alma, o homem pertenceria
simultaneamente a esses dois mundos. A tarefa da filosofia seria libertar o
homem da caverna, do mundo das aparências para o mundo real, das essências.
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