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Revisão de Filosofia

 
Marxismo
 

 

Marxismo

Tem como fontes principais o idealismo de Friedrich Hegel, o materialismo filosófico francês e a economia política inglesa do começo do século XIX. Segundo o marxismo, a característica central de qualquer sociedade está no modo de produção (escravista, feudal ou capitalista), que varia com a história e determina as relações sociais. Com o processo produtivo, os homens criam as próprias condições de sua existência.

A história seria, então, o resultado das lutas entre os interesses das diferentes classes sociais. Esse conflito só desapareceria com a instalação da sociedade comunista, concebida como igualitária e justa.
Nela, o Estado é abolido, não há divisão social nem exploração do trabalho humano, e cada indivíduo contribui de acordo com sua capacidade e recebe segundo sua necessidade.

O capitalismo, para o marxismo, é um sistema no qual a burguesia concentra o capital e os meios de produção (instalação, máquina e matéria-prima) e explora o trabalho do proletariado, mantendo-o numa situação de pobreza e alienação.
Por estar baseado nessa característica contraditória, a de explorar seu próprio alicerce - a classe trabalhadora -, o sistema prepara o caminho para sua própria destruição. O capitalismo levaria a luta de classes a um ponto crítico, em que o proletariado, privado de sua liberdade por meio da contínua exploração, acabaria por se unir. A derrota da burguesia coincidiria com a instalação do comunismo.

A tese que Marx sustenta é a da predominância da natureza sobre o espírito, ou seja, a da anterioridade do mundo natural sobre o homem. Desse modo, podemos constatar que o homem é um produto tardio e contingente na história da natureza. O que equivale a dizer que o próprio homem é um momento da natureza, a qual, distinguindo-se de si mesma, torna-se ativa e pensante no homem - momento especulativo da relação sujeito-objeto.

A atividade do homem ou o trabalho, pode ser visto em dois sentidos diferentes no pensamento de Marx. Primeiro, num sentido antropológico, onde vemos a dependência do ser ao seu próprio meio (receptividade sensível, carência, emocionalidade, suscetibilidade).
É evidente que qualquer ser vivo tem uma vinculação de metabolismo com a natureza, porém, no caso do homem, esta relação é mediatizada pelo trabalho, o que significa que o homem só pode exteriorizar sua vida através de objetos reais, efetivos e sensíveis.

A interpretação da história em Marx está profundamente ligada à interpretação de Hegel, mas, em relação a esta introduz uma modificação essencial: não é mais na reflexão que se cumpre o movimento constituinte, mas na práxis, na ação histórica enquanto penetrada pela idéia e reveladora da idéia."(Vida social e Destinação, p.52).

Marx se mostra sensível à relação recíproca entre o desenvolvimento da sociedade e o desenvolvimento das ciências naturais no mundo moderno e salienta que elas contribuíram tanto para a emancipação do homem, quanto para a sua desumanização. Para ele a sociedade produz o homem enquanto homem, mas também ela é produzida por ele. A própria natureza, com a qual todo o homem, como ser vivo, está em relação, só se humaniza na sociabilidade tornando-se um elo entre cada homem e o fundamento da existência comum.
"A sociedade, afirma Marx, é a total consubstanciação do homem com a natureza, a verdadeira ressurreição do naturalismo do homem, e a realização do humanismo da natureza"; Manuscritos econômico-políticos de 1844, p.260.

A atividade do trabalho é o despertar das forças da natureza com a intenção de dominá-las. Na medida que o homem se apropria das forças naturais pelo trabalho faz com que a própria natureza trabalhe com os interesses e necessidades humanas. O trabalho humano é a atividade de dominar a natureza, e nesse sentido, o mundo natural é o momento da praxis humana.

 

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