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O mito
O pensamento mítico teve
início na Grécia, do séc. XXI ao VI a.C.. Nasceu do desejo de dominação do
mundo, para afugentar o medo e a insegurança.
A verdade do mito não obedece a
lógica nem da verdade empírica, nem da verdade científica. É verdade intuída,
que não necessita de provas para ser aceita. É portanto uma intuição
compreensiva da realidade, é uma forma espontânea do homem situar-se no mundo.
Normalmente, associa-se, erroneamente, o conceito de mito a: mentira, ilusão,
ídolo e lenda.
O mito não é uma mentira, pois é verdadeiro para quem vive. A narração de
determinada história mítica é uma primeira atribuição de sentido ao mundo,
sobre o qual a afetividade e a imaginação exercem grande papel.
Temos como exemplo, o mito de Pandora, que, enviada aos homens, abre por
curiosidade a caixa onde saem todos os males. Pandora consegue fechá-la a
tempo de reter a esperança, única forma do homem não sucumbir às dores e aos
sofrimentos da vida. Assim, essa narração mítica explica a origem do males,
sendo esta a única maneira de compreender tal realidade.
Não podemos afirmar também que o mito é uma ilusão, pois sua história tem uma
racionalidade, mesmo que não tenha uma lógica, por trabalhar com a fantasia.
Devemos diferenciar mito e ídolo, pois mesmo existindo uma relação entre eles,
o mito é muito "maior" que o ídolo ( objeto de paixão, veneração).
Como exemplo temos a história do Super-Homem. Ele representa um ídolo, pois é
venerado. Sua história é mítica, devido ao fato de representar todos os
momentos de fracassos do ser humano na pele de Clark Kent, e por outro lado,
como Super-Homem assume a capacidade de ter sucesso pleno em todas as áreas.
Assim, o Super-Homem é um ídolo, porém sua história é mítica, sendo a única
forma de representar a incapacidade do pleno sucesso humano, sem frustrações;
pois o único que conseguiria tal feito seria um super herói, e já que esse não
existe, os seres humanos ficam mais conformados com suas limitações. E "criam"
o mito do Super- Homem para poderem "falsamente" confortar-se com sua
realidade.
O mito é muito confundido com o conceito de lenda, porém esta não tem
compromisso nenhum com a realidade, são meras histórias sobrenaturais, como é
o caso da mula sem cabeça e do saci pererê.
O mito não é exclusividade de
povos primitivos, nem de civilizações nascentes, mas existe em todos os tempos
e culturas como componente indissociável da maneira humana de compreender a
realidade.
O mito - Mas, e quanto aos nossos dias, os mitos são diferentes?
Os mitos modernos não abrangem mais a totalidade do real como ocorria nos
mitos gregos, romanos ou indígenas. Podemos escolher um mito da sensualidade,
outro da maternidade, sem que tenham de ser coerentes entre si.
Os
super-heróis dos desenhos animados e dos quadrinhos, bem como os personagens
de filmes, passam a encarnar o Bem e a Justiça, assumindo a nossa proteção
imaginária.
A própria ciência pode virar um mito, quando somos levados a acreditar que ela
é feita à margem da sociedade e de seus interesses, que mantém total
objetividade e que é neutra.
A nossa forma de compreensão do mundo dessacraliza o pensamento e a ação, isto é, retira dele o caráter de
sobre-naturalidade, fazendo surgir a filosofia, a ciência e a religião.
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