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Caatinga
O
calor abrasante, os solos crestados e as plantas em geral retorcidas são
elementos indissociáveis da paisagem da caatinga, tipo de vegetação
característico do Nordeste brasileiro, com grande variedade de aspectos em sua
composição heterogênea.
Tomando-se por base os tipos mais gerais, pode-se dizer que a caatinga é
constituída por elementos lenhosos que perdem as folhas na estação seca e se
acham mais ou menos dispersos num solo em geral raso e quase sempre pedregoso.
Essa zona fitogeográfica nordestina alcança o norte de Minas Gerais, Tocantins
e o sul do Maranhão, cobrindo uma área de cerca de 800.000km2.
É grande a correlação da caatinga com o clima, ao qual se deve atribuir a
maior parte de suas características. Em quase toda a área da caatinga está
presente o clima quente e semi-árido (Bsh na classificação de Köppen).
A
estação seca, que se faz sentir pela intensidade e duração irregular, não raro
se prolonga por vários meses.
A esse fenômeno está ligada a característica mais acentuada e geral da
caatinga: a perda total das folhas na estação seca. A pequenez das folhas e
sua mobilidade, a grande ramificação desde a parte inferior do tronco (o que
dá às árvores aparência arbustiva) e a freqüência de plantas espinhentas (a
faveleira tem espinhos até nas folhas) são outros testemunhos da adaptação ao
meio hostil.
Algumas espécies procuram defender-se da seca armazenando água em seus
tecidos, como ocorre com as plantas suculentas. Cactáceas, bromeliáceas e
outras xerófilas podem ou não ocorrer, conforme as condições locais.
As
variações fisionômicas verificam-se não só em diferentes áreas, como também
num mesmo local, gerando profundos contrastes de paisagem entre as épocas
secas e as chuvosas.
Dentre as árvores que ocorrem na caatinga, são predominantes o pereiro (Aspidosperma
pyrifolium), a faveleira (Jatropha phyllacantha), a baraúna (Schinopsis
brasiliensis), a aroeira (Schinus sp.), o angico (Piptadenia macrocarpa), a
quixabeira (Bumelia sartorum), a oiticica (Licania rigida).
O juazeiro (Zizyphus juazeiro) é conhecido por conservar suas folhas mesmo nas
grandes secas. As cactáceas mais freqüentes são o mandacaru (Cereus jamacuru),
o facheiro (Cereus squamosus), o xique-xique (Pilocereus gounellei), o quipá (Opuntia
sp.) e a coroa-de-frade (Melocactus bahiensis). Dentre as bromeliáceas,
sobretudo nas caatingas mais secas, destaca-se a macambira (Bromelia laciniosa).
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