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Estação do ano
Certos fenômenos naturais periódicos, como o dia e a noite, regulam a vida
social humana. Alguns fatos cíclicos, porém, permitem demarcar períodos mais
longos. Entre esses destacam-se os ciclos da lua e a sucessão das diferentes
estações do ano.
Estação do ano é um dos quatro períodos de três meses em que se costuma
dividir o ano, segundo critérios astronômicos estabelecidos em função da
posição da Terra com relação ao Sol. Distinguem-se, tradicionalmente, quatro
grandes estações - primavera, verão, outono e inverno -, associadas às
diferentes atividades agrícolas, condições meteorológicas e costumes sociais
que regem a vida na Terra.
Excetuando-se os trópicos, a característica essencial do ciclo das estações é
um movimento pendular da temperatura entre uma máxima e uma mínima. As outras
diferenças entre as quatro estações são subordinadas às alterações de
temperatura. Assim, somente as estações extremas possuem características
próprias. Se a divisão quádrupla das estações não estivesse tão demarcada no
espírito popular, primavera e outono seriam considerados simples períodos de
transição.
Ciclo anual. Um ano coincide com a sucessão de quatro estações, que se repetem
periodicamente, a partir das mesmas datas. Denomina-se ano sideral o período
de tempo transcorrido entre dois alinhamentos sucessivos do Sol e da Terra com
uma estrela distante. Esse intervalo compreende 365 dias, 6 horas, 9 minutos e
9,54 segundos, ou 365,2564 dias solares médios - indicadores cronológicos mais
precisos que os calculados por observações diretas da posição do Sol, pois sua
medida é feita com referência a um corpo imaginário dotado de movimento
regular. No entanto, o dia civil universalmente aceito e com o qual estão
sincronizados os relógios de todo o mundo é definido pela observação diária do
Sol (ano solar ou tropical).
Equinócios e solstícios. A Terra gira em torno do Sol e descreve em seu
movimento uma elipse quase circular, cujo achatamento, ainda que pouco
acentuado, adquire importância especial na determinação dos pontos
astronômicos do espaço que marcam o início das estações. O Sol está num dos
focos da elipse. Os dois pontos extremos chamam-se periélio (o mais próximo do
Sol) e afélio (o mais distante).
A data que corresponde à posição da Terra no periélio é conhecida no
hemisfério sul como solstício de verão (de inverno no hemisfério norte).
Coincide aproximadamente com o início da estação, em 22 ou 23 de dezembro, que
é o dia mais longo do ano no hemisfério sul (e o mais curto no hemisfério
norte).
A Terra passa pelo afélio pouco depois do início do inverno austral (verão
boreal), que ocorre em 21 ou 22 de junho, o dia mais longo do ano no
hemisfério sul (e o mais curto no hemisfério norte).
As datas intermediárias, conhecidas como equinócios, marcam o início da
primavera (22 ou 23 de setembro, no hemisfério sul; 20 ou 21 de março, no
hemisfério norte), e do outono (20 ou 21 de março, no sul; 22 ou 23 de
setembro, no norte).
A variação da duração dos dias (mais longos no verão) e das noites (mais
longas no inverno) durante o ano se deve ao fato de que o eixo em torno do
qual a Terra realiza sua rotação não é perpendicular à direção de seu
deslocamento em torno do Sol (plano orbital). O eixo da Terra mantém, em
relação ao plano orbital, uma inclinação relativamente constante de 23o 27', o
que faz os raios solares incidirem mais perpendicularmente em um hemisfério do
que no outro durante seis meses por ano.
A inclinação da Terra no espaço é permanente mas, com relação ao Sol,
aparentemente se inverte ao passar pelos extremos da elipse. Os pontos
equinociais marcam a mudança das estações frias para as quentes, ou
vice-versa. O fenômeno tem várias conseqüências, entre as quais se destacam as
diferenças de estados climáticos entre os dois hemisférios (o verão austral
coincide com o inverno boreal). Outras conseqüências são a aparente variação
da posição do Sol no céu, que surge sobre o horizonte em pontos diferentes,
nas mesmas horas, ao longo do ano, e a diferente duração dos dias e das noites
durante o ano, especialmente notável nos pólos.
As noites de inverno nos países escandinavos, por exemplo, são praticamente
contínuas. Durante pequenos intervalos, o sol brilha, fraco, quase sobre o
horizonte. No verão, ocorre o famoso efeito conhecido como noites brancas ou
sol da meia-noite - quando o astro permanece visível durante as 24 horas do
dia ou se oculta por apenas algumas horas. Nos equinócios, o dia e a noite
duram exatamente doze horas cada um.
Nas regiões muito próximas da linha do equador, onde a variação térmica e a da
incidência do Sol ao longo do ano é pequena, o critério para definição das
estações são os períodos de seca e de chuva. Na Índia, por causa das monções,
alternam-se três estações: uma fria e seca, de dezembro a fevereiro; uma
quente e seca, de março a meados de junho; e uma chuvosa, de meados de junho a
novembro.
Conseqüências das estações. O ciclo das estações tem conseqüências para a vida
na Terra. As modificações climáticas se devem mais à inclinação do eixo
terrestre do que à variação da distância da Terra ao Sol, de efeitos
imperceptíveis mesmo nos pontos mais extremos da trajetória elíptica da
translação.
A duração relativa dos dias e das noites influi nas condições meteorológicas
predominantes em cada região. A atmosfera fica mais tempo exposta às radiações
solares no verão do que no inverno, e o mesmo acontece com o mar, cuja
temperatura aumenta o suficiente para provocar correntes oceânicas.
Entretanto, o alto calor específico da água (quantidade de calor necessária
para elevar em um grau Celsius a temperatura de um grama de água) faz do mar
um imenso moderador térmico, que impede a queda acentuada da temperatura no
inverno e o aumento excessivo no verão.
A influência do mar na suavização das estações diminui nas terras mais
continentais, cujo clima seco tende a provocar grandes diferenças entre as
temperaturas máximas e mínimas. A função do mar como acumulador de calor, além
disso, retarda os efeitos de fatores diversos sobre os índices de temperatura.
Assim, as temperaturas extremas do ano não acontecem durante os solstícios,
mas algumas semanas depois.
A umidade, a pressão atmosférica e, em conseqüência, as precipitações, tanto
em forma de chuva como de neve, se repetem periodicamente, em especial em
determinadas estações típicas para cada região. Os ventos de monções
representam também um claro exemplo de mudanças atmosféricas características
das mudanças de estação. Sua formação se deve a uma descompensação nos
fenômenos de resfriamento ou aquecimento da terra e do mar que, ao ocorrerem
muito rapidamente, provocam ventos fortes e períodos de chuva ou de seca.
Os animais mais evoluídos regulam seus ciclos vitais biológicos de acordo com
as diferentes estações, ao longo das quais adequadamente distribuem suas
principais atividades. A busca de alimentos se intensifica ou atenua segundo
as condições climáticas e se adapta à época mais favorável para a manutenção
das crias. Alguns animais hibernam durante a época fria, e quase todos
experimentam mudanças de maior ou menor importância em seu metabolismo, para
se adaptarem ao ambiente de cada estação.
As plantas denunciam, de maneira mais acentuada, as particularidades térmicas
de umidade ou de insolação características de cada estação. A primavera está
associada ao período de floração e o outono à queda das folhas das árvores. Em
determinados climas, a perda de umidade das florestas durante o verão aumenta
perigosamente o risco de incêndios.
A agricultura ajusta cada uma de suas fases ao período mais propício, que
varia conforme o produto, o que em muitos casos possibilita obter mais de uma
colheita por ano. Qualquer alteração de monta na data prevista para o início
das manifestações climáticas correspondentes à estação em curso pode perturbar
gravemente o desenvolvimento da lavoura.
A mudança das estações afeta também o comportamento dos indivíduos. Alguns
doentes mentais reagem de forma muito clara a essas alterações. O clima,
associado à estação, provoca estados de ânimo que afetam grupos sociais
inteiros. Diversos costumes, atitudes sociais e de trabalho estão relacionados
com as estações do ano. O calor excessivo e as temporadas de chuvas
torrenciais ou de nevascas podem recomendar a adoção de medidas reguladoras
das diferentes atividades humanas: redistribuição de horários de trabalho,
suspensão das aulas, adequação dos serviços públicos etc.
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