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Antigo Regime, sociedades
Antigo Regime, no sentido lato, refere-se à época da história
européia compreendida entre o Renascimento e as grandes revoluções liberais, que correspondem à Idade Moderna.
Socialmente, caracteriza-se por uma estrutura hierarquizada (primeiro, segundo e terceiro estados). Politicamente, corresponde às monarquias absolutas. Economicamente, ao desenvolvimento do capitalismo comercial.
Na historiografia da Revolução Francesa (em francês Ancien Régime) é o nome dado ao regime político vigente na França até aquele momento histórico: uma monarquia absolutista, na qual o soberano concentrava em suas mãos os modernos poderes executivo, legislativo e judiciário.
Durante o Antigo Regime a sociedade francesa encontrava-se dividida em três ordens, estamentos ou estados: o clero (Primeiro Estado), a nobreza (Segundo Estado) e o Terceiro Estado, que representava a burguesia e os camponeses.
Cada estado tinha direito a um voto nas decisões das assembléias (Estados Gerais). Essa divisão era considerada injusta, pois a nobreza e o clero, que nesse sistema tinham direito a um voto cada, compunham na verdade um só grupo, já que o Estado era vinculado à Igreja Católica na época.
O clero era, na Idade Média, todo o extrato social associado ao culto religioso, nomeadamente o cristão.
Porém, já na sociedade visigótica tinha o clero desempenhado um papel de relevância. O seu prestígio manteve-se junto das populações cristãs peninsulares, durante a dominação muçulmana, e fortalecer-se-ia no período da Reconquista cristã, tornando-se o principal patrocinador deste movimento.
Às razões que constituem os fundamentos da Cristandade acrescem as da peculiaridade ibérica, onde as lutas contra os infiéis inflamavam a fé cristã, determinando o zelo das crenças profundas. E não apenas pela missão religiosa, como pela cultura das letras, a que muitos dos seus membros se dedicavam, o clero exerceu preponderância social e política, desempenhando os eclesiásticos cargos importantes junto dos reis.
Até meados do século XIV, o clero, manteve essa situação de privilégio, devendo-se ao aparecimento dos legistas a concorrência que veio a sofrer nessa época. Ao clero coube, também, o desempenho de um significativo papel, quer no povoamento, quer no arroteamento de terrenos de cultura, e desenvolvimento das instituições de
beneficência e caridade.
Também a instrução e artes ficaram a dever muito à Igreja desta época.Face a esta situação de privilégio, teve o clero muitos conflitos com a realeza.
Nobreza representa, ou representou, a classe social de maior estrato. Aos nobres pertenciam grande parte dos territórios conquistados, recebidos dos monarcas como
prêmio das vitórias. Beneficiavam de duas regalias muito importantes: a jurisdição privativa sobre os moradores dos seus domínios senhoriais e, por vezes, a isenção de tributo.
Às terras dos nobres foi dada a designação de «honras» e às terras, especialmente de propriedade eclesiástica, que gozavam imunidade, deu-se o nome de «coutos». Note-se, contudo, que eram mais
freqüentes as imunidades eclesiásticas.
Aos nobres podem-se associar títulos nobiliárquicos segundo a importância, prestígio ou ascendência do indivíduo.
Terceiro Estado - Na França do Antigo Regime (Ancien Régime) e durante a Revolução Francesa, o termo Terceiro Estado (fr. tiers état) indicava as pessoas que não faziam parte do clero (Primeiro Estado) nem da nobreza (Segundo Estado).
Desses termos veio o nome medieval da assembléia nacional francesa: os Estados Gerais (fr. Etats Généraux), análogo ao Parlamento britânico mas sem tradição constitucional dos poderes parlamentares: a monarquia francesa reinava absoluta.
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