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Classicismo - Parte II
O Classicismo Literário Português
Principal representante na lit. portuguesa: Luis Vaz de Camões
A Linguagem Clássico-Renascentista
A linguagem clássico-renascentista é a expansão das idéias e dos sentimentos do homem do século XVI.
Seus temas e sua construção traduzem, de um lado, o espírito de aventuras trazido pelas navegações: de outro, refletem a busca dos modelos literários greco-latinos e dos humanistas italianos.
Emprego da medida nova: Os humanistas passaram a empregar sistematicamente o verso decassílabo, denominado então de medida nova, em oposição às redondilhas medievais, chamadas de medida velha.
Gosto pelo soneto: No Renascimento também foi criado o soneto, um tipo de composição poética formada por duas quadras e dois tercetos, com versos decassílabos, que até hoje é cultivado pelos poetas. Essa nova forma de fazer poesia foi chamado de "dolce stil nuovo", ou "doce novo estilo", por Dante.
Formas de inspiração clássica: Além de criarem o soneto, os humanistas italianos recuperaram outras formas, já cultivadas pela literatura grega e latina:
Veja aqui alguns trechos da peça de Bertolt Brecht, A vida de Galileu
- a écloga: composição geralmente dialogada, em que o poeta idealiza assuntos sobre a vida no campo. Suas personagens são pastores (éclogas pastoris), pescadores (éclogas pisctórias) ou caçadores (éclogas venatórias);
- a elegia: poema de fundo melancólico;
- a ode: composição pequena, de caráter erudito, com elevação do pensamento, sobre vários assuntos. As odes podem ser classificadas em pendáricas (cantam heróis ou acontecimentos grandiosos), anacreônicas (cantam o amor e a beleza), e satíricas (celebram assuntos morais e / ou filosóficos);
- epístola: composição em que o autor expõe suas idéias e opiniões, em estilo calmo e familiar. Pode ser doutrinária, amorosa ou satírica;
- epitalâmio: composição em honra aos recém casados, própria para ser recitada em bodas;
- canção: composição erudita, de longas estrofes, versos decassílabos por vezes entremeados com outros de seis sílabas (heróicos) e de caráter amoroso;
- epigrama: composição de 2 ou 3 versos com pensamentos engenhosos e de estilo cintilante;
- sextilha: composição de seis estrofes de seis versos com uma forma muito engenhosa, em que as palavras finais dos versos de todas as outras, apenas com a ordem trocada;
- ditirâmos: canto festivo para celebrar o prazer dos banquetes;
Antropocentrismo: O mundo e as idéias deixam de girar em torno de Deus (teocentrismo) e passam a centrar-se no homem. A natureza passa a ser valorizada e investigada, encarada como fonte de vida e prazer, posta a serviço do homem, e não mais como pecado. Foi a valorização das capacidades físicas e espirituais do homem.
Influência da cultura greco-latina (Paganismo): A imitação dos modelos greco-romanos da antiguidade está na base da renovação literária surgida no Renascimento que tomou o nome de Classicismo.
Como nas outras artes, também na literatura isso não significa copiar, e sim recriar. Os autores clássicos mais seguidos no Classicismo foram Homero, Virgílio, Ovídio, dentre outros. Também a teoria de Platão (essência x aparência) na concepção do amor foi muito difundida.
Racionalismo / Universalismo: Observemos essa estrofe de um soneto de Camões:
Não há coisa a qual natural seja
Que não queira perpétuo o seu estado
Não quer logo o desejo o desejado,
Por que não falte nunca onde sobeja. (sobra)
Podemos perceber como o autor nesses versos trabalha mais com o conceito do amor do que propriamente com os sentimentos. (Diz-se que ele universalisa os sentimentos, tira o carater individual dos mesmos).
A conjunção conclusiva logo confirma a preocupação do texto com a lógica e com as idéias. Esse racionalismo, contudo, não se dá apenas na literatura. Manifesta-se também na ciência e nas atividades econômicas daquela sociedade, voltada para o comércio, para as navegações e para os lucros.
Pode-se dizer que a necessidade de compreender melhor, dominar e transformar a natureza experimentada pelo burgues do século XVI levou-o a substituir a fé cristã pela razão, pondo fim à mentalidade teocêntrica medieval.
Uso da mitologia: Um grupo de artistas, chamados de humanitas, defendia que a cultura pagã, anterior ao aparecimento do cristianismo, era mais rica e expressiva, pois valorizava o indivíduo, seus feitos heróicos e sua capacidade de dominar e transformar o mundo.
Por isso, se empenhavam em imitar as obras da arte da Antiguidade greco-latina, difundir suas idéias e traduzir suas obras para a língua falada na época, o italiano.
A partir daí, seres, deuses e personagens da cultura dos Helenos e Romanos (Vênus, Zeus, Marte, Afrodite, Baco, Eolo...) foram sendo "incorporados" nas artes dos autores Clássicos.
Exaltação das faculdades humanas: A valorização das capacidades físicas e espirituais do homem foi chamada de antropocentrismo e, naturalmente, contrapunha-se à visão teocêntrica do mundo imposta pela Igreja.
Busca do amor platônico, elevado, espiritual / Neoplatonismo: Seguindo a concepção platônica onde existem um mundo que percebemos com os sentidos, ilusorio e confuso, de sombras onde nada é estável ou permanente chamado Mundo dos Fenômenos e um outro mais elevado, espiritual e eterno, onde está a imutável essência de todas as coisas e acessível somente através da razão chamado Mundo das Idéias, os autores clássicos buscavam um amor idealizado, espiritualizado e racional, que se aproximava da Verdade Absoluta.
A partir daí, o amor é visto de uma forma distante, onde muitas vezes o ser amado não tem conhecimento de sua situação e o desejo é aplacado pelo juízo.
A filosofia de Platão exerceu grande influência no Ocidente. Até o século XV, apenas uma pequena parte de sua obra era conhecida. Em 1481, o humanista italiano Ficino traduziu todos os seus textos para o latim, colocando-o ao alcance dos intelectuais.
Mas a leitura de Platão sofreu influências das idéias cristãs que imperavam na época. Com isso, o Mundo das Idéias, o reino da Verdade absoluta, passou a ser associado ao Céu cristão. De qualquer forma, seu pensamento marcou bastante a vida cultural do Renascimento.
Observa-se, por exemplo, nesses versos de Camões do poema "Babel e Sião", de Camões, a presença clara das idéias platônicas:
Mas, ó tu, terra de Glória
Se eu nunca vi tua essência,
Como me lembrais na ausência?
Não me lembras na memória,
Senão na reminiscência?
Que alma é tabua rasa
Que com a escrita doutrina
Celeste tanto imagina,
Que voa da própria casa
E sobe à patria divina
Não é logo a saudade
das terras onde nasceu
A carte, mas é do Céu
Daquela santa Cidade
De onde esta alma descendeu.
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