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Teoria de Conjuntos
1 - Conjunto: conceito primitivo; não necessita, portanto, de
definição.
Exemplo: conjunto dos números pares positivos: P =
{2,4,6,8,10,12, ... }. Esta forma de representar um conjunto, pela
enumeração dos seus elementos, chama-se forma de listagem. O mesmo conjunto
também poderia ser representado por uma propriedade dos seus elementos ou seja,
sendo x um elemento qualquer do conjunto P acima, poderíamos escrever: P = {
x | x é par e positivo } = { 2,4,6, ... }.
1.1 - Relação de pertinência: Sendo x um elemento do conjunto A ,
escrevemos x Î A
, onde o símbolo Î significa "pertence a". Sendo y um elemento que não pertence ao
conjunto A , indicamos esse fato com a notação y Ï A.
O conjunto que não possui
elementos , é denominado conjunto vazio e representado por f . Com o mesmo
raciocínio, e opostamente ao conjunto vazio, define-se o conjunto ao qual
pertencem todos os elementos, denominado conjunto universo, representado pelo
símbolo U. Assim é que, pode-se escrever como exemplos: Æ = { x; x ¹ x} e U = {x; x = x}.
1.2 - Subconjunto: Se todo elemento de um conjunto A também pertence a um
conjunto B, então dizemos que A é subconjunto de B e indicamos isto
por A Ì
B.
Notas: a) todo conjunto é subconjunto de si próprio. ( A Ì A ) b) o
conjunto vazio é subconjunto de qualquer conjunto. (Æ Ì A) c) se um conjunto A possui m
elementos então ele possui 2m subconjuntos. d) o conjunto formado
por todos os subconjuntos de um conjunto A é denominado conjunto das partes
de A e é indicado por P(A). Assim, se A = {c, d} , o conjunto das partes de
A é dado por P(A) = {f , {c}, {d}, {c,d}} e) um subconjunto de A é também denominado parte
de A.
2 - Conjuntos numéricos fundamentais
Entendemos por conjunto numérico, qualquer conjunto cujos elementos são
números. Existem infinitos conjuntos numéricos, entre os quais, os chamados
conjuntos numéricos fundamentais, a saber:
Conjunto dos números naturais N = {0,1,2,3,4,5,6,... }
Conjunto dos números inteiros Z = {..., -4,-3,-2,-1,0,1,2,3,... } Obs:
é evidente que N Ì Z.
Conjunto dos números racionais Q = {x; x = p/q com p
Î Z , q Î Z e q ¹ 0 }. Temos então que
número racional é aquele que pode ser escrito na forma de uma fração p/q onde p
e q são números inteiros, com o denominador diferente de zero. Lembre-se que
não existe divisão por zero!. São exemplos de números racionais: 2/3,
-3/7, 0,001=1/1000, 0,75=3/4, 0,333... = 1/3, 7 = 7/1, etc.
Notas: a)
é evidente que N Ì Z Ì
Q. b) toda dízima periódica é um número racional, pois é sempre possível
escrever uma dízima periódica na forma de uma fração. Exemplo: 0,4444... =
4/9
Conjunto dos números irracionais I = {x; x é uma dízima
não periódica}. Exemplos de números irracionais: p = 3,1415926... (número pi = razão entre
o comprimento de qualquer circunferência e o seu diâmetro)
2,01001000100001... (dízima não periódica) Ö 3 = 1,732050807... (raiz não
exata).
Conjunto dos números reais R = { x; x é racional ou x é
irracional}.
Notas: a) é óbvio que N Ì Z Ì Q Ì R b) I Ì R c) I
È Q = R d) um número real
é racional ou irracional, não existe outra hipótese!
3 - Intervalos numéricos
Dados dois números reais p e q, chama-se
intervalo a todo conjunto de todos números reais compreendidos entre p e q ,
podendo inclusive incluir p e q. Os números p e q são os limites do
intervalo, sendo a diferença p - q , chamada amplitude do intervalo. Se
o intervalo incluir p e q , o intervalo é fechado e caso contrário, o intervalo
é dito aberto. A tabela abaixo, define os diversos tipos de
intervalos.
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TIPOS |
REPRESENTAÇÃO |
OBSERVAÇÃO |
|
INTERVALO FECHADO |
[p;q] = {x Î R; p £ x £
q} |
inclui os limites p e q |
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INTERVALO ABERTO |
(p;q) = { x Î R; p < x
< q} |
exclui os limites p e q |
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INTERVALO FECHADO A ESQUERDA |
[p;q) = { x Î R; p £ x < q} |
inclui p e exclui q |
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INTERVALO FECHADO À DIREITA |
(p;q] = {x Î R; p < x
£
q} |
exclui p e inclui q |
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INTERVALO SEMI-FECHADO |
[p;¥ ) =
{x Î R; x ³ p} |
valores maiores ou iguais a p. |
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INTERVALO SEMI-FECHADO |
(- ¥ ;
q] = { x Î
R; x £ q} |
valores menores ou iguais a q. |
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INTERVALO SEMI-ABERTO |
(-¥ ; q)
= { x Î R;
x <
q} |
valores menores do que q. |
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INTERVALO SEMI-ABERTO |
(p; ¥ )
= { x >
p } |
valores maiores do que p. |
Nota: é fácil observar que o conjunto dos números reais, (o conjunto R) pode
ser representado na forma de intervalo como R = ( -¥ ; + ¥ ).
4 - Operações com conjuntos
4.1 - União ( È )
Dados os conjuntos A e B , define-se o conjunto união A
È B = { x; x Î A ou x Î B}. Exemplo: {0,1,3} È { 3,4,5 } = {
0,1,3,4,5}. Percebe-se facilmente que o conjunto união contempla todos os
elementos do conjunto A ou do conjunto B.
Propriedades imediatas: a) A
È A = A b) A È f = A c) A È B = B È A
(a união de conjuntos é uma operação comutativa) d) A È U = U , onde U é o conjunto
universo.
4.2 - Interseção ( Ç )
Dados os conjuntos A e B , define-se o conjunto interseção A
Ç B = {x; x Î A e x Î B}. Exemplo: {0,2,4,5} Ç { 4,6,7} = {4}.
Percebe-se facilmente que o conjunto interseção contempla os elementos que são
comuns aos conjuntos A e B.
Propriedades imediatas: a) A
Ç A = A b) A Ç Æ = Æ
c) A Ç B = B Ç A ( a
interseção é uma operação comutativa) d) A Ç U = A onde U é o conjunto universo.
São importantes também as seguintes propriedades : P1. A
Ç ( B È C ) = (A Ç B) È ( A Ç C) (propriedade distributiva) P2. A È ( B
Ç C ) = (A È B ) Ç ( A È C) (propriedade
distributiva) P3. A Ç (A È B) =
A (lei da absorção) P4. A È (A Ç B) = A (lei da absorção) Obs: Se A Ç B =
f , então dizemos que os conjuntos A e B
são Disjuntos.
4.3 - Diferença: A - B = {x ; x
Î A e x Ï B}.
Observe que os elementos da diferença são aqueles que
pertencem ao primeiro conjunto, mas não pertencem ao segundo. Exemplos: {
0,5,7} - {0,7,3} = {5}. {1,2,3,4,5} - {1,2,3} = {4,5}.
Propriedades imediatas: a) A -
f = A b) f - A = f c) A - A = Æ d) A - B ¹ B - A ( a diferença de conjuntos não é
uma operação comutativa).
4.3.1 - Complementar de um conjunto
Trata-se de um caso particular da
diferença entre dois conjuntos. Assim é , que dados dois conjuntos A e B, com a
condição de que B Ì A , a diferença A - B chama-se, neste caso, complementar de B em relação
a A . Simbologia: CAB = A - B. Caso
particular: O complementar de B em relação ao conjunto universo U, ou seja , U -
B ,é indicado pelo símbolo B' .Observe que o conjunto B' é formado por todos os
elementos que não pertencem ao conjunto B, ou seja: B' = {x; x Ï B}. É óbvio, então, que:
a) B Ç B' = f b) B È B' = U c)
f' = U d) U' = f
5 - Partição de um conjunto
Seja A um conjunto não vazio. Define-se como
partição de A, e representa-se por part(A), qualquer subconjunto do conjunto
das partes de A (representado simbolicamente por P(A)), que satisfaz
simultaneamente, às seguintes condições: 1 - nenhuma dos elementos de part(A)
é o conjunto vazio. 2 - a interseção de quaisquer dois elementos de part(A) é
o conjunto vazio. 3 - a união de todos os elementos de part(A) é igual ao
conjunto A.
Exemplo: Seja A = {2, 3, 5} Os subconjuntos de A serão: {2}, {3}, {5},
{2,3}, {2,5}, {3,5}, {2,3,5}, e o conjunto vazio - Ø. Assim, o conjunto
das partes de A será: P(A) = { {2}, {3}, {5}, {2,3}, {2,5}, {3,5},
{2,3,5}, Ø } Vamos tomar, por exemplo, o seguinte subconjunto de
P(A): X = { {2}, {3,5} } Observe que X é uma partição de A -
cuja simbologia é part(A) - pois: a) nenhum dos elementos de X é Ø . b)
{2} Ç {3, 5} = Ø c) {2} U {3, 5} = {2, 3, 5} = A Sendo observadas as condições 1, 2 e 3
acima, o conjunto X é uma partição do conjunto A. Observe que Y = {
{2,5}, {3} } ; W = { {5}, {2}, {3} }; S = { {3,2},
{5} } são outros exemplos de partições do conjunto A.
Outro exemplo: o
conjunto Y = { {0, 2, 4, 6, 8, ...}, {1, 3, 5, 7, ...} } é uma
partição do conjunto N dos números naturais, pois {0, 2, 4, 6, 8, ...}
Ç {1, 3, 5, 7,
...} = Ø e {0, 2, 4, 6, 8, ...} U {1, 3, 5, 7, ...} = N .
6 - Número de elementos da união de dois conjuntos
Sejam A e B dois conjuntos, tais que o número de elementos de A seja n(A) e o
número de elementos de B seja n(B). Nota: o número de elementos de um
conjunto, é também conhecido com cardinal do conjunto.
Representando o
número de elementos da interseção A Ç B por n(A Ç B) e o número de elementos da união A
È B por n(A È B) , podemos
escrever a seguinte fórmula: n(A È B) = n(A) + n(B) - n(A Ç B)
Conjuntos
numéricos
Números Naturais: {1,2,3,4,5,......,11,12,.....}
Números Inteiros: {....,-4,-3,-2,-1,0,1,2,3,4,...}
Seqüências: {0,1,2,....,10,11,12,13,...}
Números Racionais: {p/q | p e q são números inteiros
, q = 0}; os conjuntos de números naturais , números
inteiros e seqüenciais , assim como os números que podem ser
grafados em frações, são subconjuntos dos números
racionais.
Números Irracionais: {x| , x é um número real, mas não
um número racional }; os conjuntos de números racionais e
irracionais não tem elementos em comum e por isso são
conjuntos desarticulados.
Números Reais: {x|x é a coordenada de um ponto em uma
linha numérica}; a união do conjunto de números racionais
com um conjunto de números irracionais equivale ao conjunto
de números reais.
Números Imaginários: {ai| a é um número real e i é
o número cuja segunda potência é -1}; i² = -1; os
conjuntos de números reais e imaginários não tem elementos
comuns e são conjuntos desarticulados.
Números Complexos: {a + bi| a e b são números reais
e i é o número cuja segunda potência é -1}; o conjunto de
números reais e o de imaginários são subconjuntos dos números
complexos.
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