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Como fazer uma resenha
Resenha é um trabalho de
síntese que revistas e jornais científicas publicam geralmente logo após a
edição de uma obra, com o objetivo de divulgá-la. Não se trata de um simples
resumo.
O resumo deve se limitar ao conteúdo do trabalho, sem qualquer julgamento de
valor. Já a resenha vai além, resume a obra e faz uma avaliação sobre ela,
apresentando suas linhas básicas, deve avaliá-la, mostrando seus pontos fortes
e fracos.
A resenha pode ser de um ou mais capítulos, duma coleção ou mesmo dum filme.
Apresenta falhas, lacunas e virtudes, explora o contexto histórico em que a
obra fora elaborada e faz comparações com outros autores.
Conhecida como resumo crítico, a resenha só pode ser elaborada por alguém com
conhecimentos na área, pois sua elaboração exige opinião formada, pois além de
resumir, o resenhista avalia a obra, sustentando suas considerações, deve
embasá-las seja com evidências extraídas da própria obra ou de outras de que
se valeu para elaborar a resenha.
"Se o resumo do conteúdo da obra não está bem feito, o leitor que não a
conhece encontrará dificuldades em acompanhar a análise crítica. Se, por outro
lado, o recensor se limita a relatar o conteúdo, sem julgá-lo criticamente,
ele estará escrevendo um resumo e não uma recensão crítica. Finalmente, se ele
não sustenta ou ilustra seus julgamentos com dados extraídos da obra
recenseada, ele não dá ao leitor a oportunidade de formar seus próprios
julgamentos".
De uma boa resenha devem constar:
a referência bibliográfica da obra, preferencialmente seguindo a ABNT;
alguns dados biográficos relevantes do autor (titulação, vínculo acadêmico e
outras obras, por exemplo);
o resumo da obra, ou síntese do conteúdo, destacando a área do conhecimento, o
tema, as idéias principais e, opcionalmente, as partes ou capítulos em que se
divide o trabalho. Deve-se deter no essencial, mostrando qual é o objetivo do
autor, evitando recorrer a detalhes e exemplos, com máxima concisão. Este
momento é mais informativo que crítico, embora a crítica já possa estar
presente;
as categorias ou termos teóricos principais de que o autor se utiliza,
precisando seu sentido, o que ajuda evidenciar seu approach teórico,
situando-o no debate acadêmico e permitindo sua comparação com outros autores.
Aqui não só se deve expor claramente como o autor conceitua ou define
determinado termo teórico, mas já se deve introduzir críticas, seja à
utilização ou à própria conceituação feita pelo autor [em uma resenha para
revistas especializadas, esta parte pode ser dispensada, até por economia de
espaço, mas é essencial em trabalhos de aula, em que o recensor é também
aprendiz];
a avaliação crítica, nos termos já referidos anteriormente no item 1. Este é o
ponto alto da resenha, onde o recensor mostra seu conhecimento, dialoga com o
autor e/ou com leitor, dá-se ao direito de proceder a um julgamento. Há vários
tipos de críticas, mas destacam-se: (a) a interna, quando se avalia o conteúdo
da obra em si, a coerência diante de seus objetivos, se não apresenta falhas
lógicas ou de conteúdo; e (b) a externa, quando se contextualiza o autor e a
obra, inserindo-os em um quadro referencial mais amplo, seja histórico ou
intelectual, mostrando sua contribuição diante de outros autores e sua
originalidade.
Atualmente quase todas as revistas científicas trazem boas seções de resenhas.
Sempre é aconselhável ir a uma biblioteca e consultar alguns destes periódicos
para observar atentamente como os mais destacados profissionais e
pesquisadores da área as elaboram.
Finalmente, deve-se lembrar que o recensor deve preocupar-se com a obra em sua
totalidade, sem perder-se em detalhes e em passagens isoladas que podem
distorcer idéias. Deve-se certamente apresentar e comentar pontos específicos,
fortes ou fracos do trabalho, mas estes devem ser relevantes. Nada mais
deplorável do que uma crítica vazia de conteúdo, sem base teórica ou empírica,
que lembre preconceito. Ou elogios gratuitos, que podem parecer corporativismo
ou "puxa-saquismo". (Prof. Dr. Pedro Cezar Dutra Fonseca)
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