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Temperatura
A primeira escala registrada
pela história da ciência foi criada no século XVI pelo médico italiano
Santorio, que utilizou uma graduação termométrica cujos pontos de referência
eram as temperaturas da neve e da chama de uma vela.
Temperatura é a grandeza física que determina o grau de calor ou frio de
determinado corpo, expresso em termos de uma escala arbitrária de valores.
De caráter relativo, a temperatura reflete o resultado da transmissão de calor
de uma substância a outra e, por isso mesmo, é um dos efeitos das trocas
termodinâmicas próprias da matéria. Toda e qualquer manifestação de vida na
Terra é fortemente influenciada pela temperatura, estudada também pela
meteorologia, pois é um dos mais importantes elementos do clima.
Conceito termodinâmico. Um sistema termodinâmico, formado por um conjunto de
matéria sob determinadas condições físicas, é definido a cada instante por
duas grandezas básicas -- a energia, que se manifesta externamente sob a forma
de movimento ou de calor, e a entropia, que mostra a quantidade de energia não
utilizada existente dentro do sistema.
A temperatura de um sistema não equivale ao calor que ele contém, ou tampouco
a sua energia, que corresponde à generalização do conceito de calor. A
temperatura de um fósforo aceso, por exemplo, é muito mais alta que a de um
grande iceberg; este, porém, armazena uma quantidade muito maior de energia.
Escalas de medição. O desenvolvimento da termometria, ou seja, a técnica de
medir a temperatura, começou com o termoscópio inventado por Galileu Galilei,
em 1592. As escalas de medição definidas pela escola científica florentina ao
longo do século XVII tomavam como base a temperatura anual mínima da região, e
os instrumentos eram calibrados em relação a ela. Com o tempo, adoraram-se
pontos de origem mais racionais e genéricos.
No princípio do século XVIII, havia na Europa mais de 35 escalas diferentes de
temperatura. As escalas mais usadas atualmente são: Celsius (°C), Fahrenheit
(°F), Kelvin (K) e Rankine (°R). Em algumas situações, ainda se utiliza a
escala Réaumur (°Re).
A primeira escala centígrada, hoje conhecida como escala Celsius, foi
desenvolvida pelo astrônomo sueco Anders Celsius em 1742. A diferença entre
seus valores de referência -- zero para o ponto de fusão e cem para o ponto de
ebulição da água -- corresponde a cem graus, o que facilitou sua adoção nos
países que adotam o sistema métrico decimal. É utilizada em quase todos os
países do mundo, inclusive no Brasil.
A escala Fahrenheit foi criada pelo físico alemão Daniel Gabriel Fahrenheit,
entre 1700 e 1730. Tem três referências básicas: a temperatura de um cubo de
gelo, que recebeu o valor 32, a temperatura do corpo humano, definida em 98,6,
e o ponto de ebulição da água, fixado em 212. Divide-se em 180 partes
(diferença entre os pontos de fusão e ebulição), cada uma equivalente a um
grau. É utilizada nos Estados Unidos e alguns outros países de língua inglesa.
Em 1848 o físico britânico William Thomson Kelvin propôs um novo sistema de
medição de temperatura, mais adequado às crescentes necessidades da
termodinâmica. Conhecida como escala absoluta ou Kelvin e baseada no sistema
centígrado, tem sua origem no chamado zero absoluto, definido pelo valor
-273,15 da escala Celsius. O kelvin, sua unidade de temperatura, é reconhecido
como padrão universal para as medições científicas de temperatura.
A equivalência entre as escalas Celsius e Kelvin se obtém pelo simples
deslocamento do valor de origem.
A escala absoluta Rankine também é muito usada em engenharia. Origina-se no
zero absoluto da escala Fahrenheit, definido em -459,67°F. Mais raramente
utilizada é a escala Réaumur, que se baseia num intervalo de 0 a 80 entre os
pontos de fusão e ebulição da água.
Propriedades e efeitos da temperatura. As propriedades fundamentais das
diversas substâncias costumam se alterar quando estas reagem quimicamente às
variações de temperatura. Os gases, por exemplo, tendem a se dilatar, ou
aumentar de volume, em relação paralela e proporcional ao aumento de
temperatura.
De forma análoga, os líquidos experimentam aumento de volume com o
aquecimento, embora algumas substâncias tenham comportamento anômalo e se
contraiam diante de temperaturas mais altas, como é o caso da água entre 0 e
4°C.
O estudo da variação da condutividade elétrica dos materiais em relação à
temperatura tem sido de excepcional interesse para a ciência e a tecnologia.
As análises de amostras criogênicas, ou seja, submetidas a temperaturas
extremamente baixas, levaram, no início do século XX, à descoberta da
supercondutividade. Esse fenômeno ocorre porque certas substâncias e ligas
metálicas têm a propriedade de perder toda a resistência quando submetidas a
descargas elétricas abaixo de uma temperatura específica, denominada
temperatura crítica.
As primeiras experiências com a supercondutividade foram realizadas a
temperaturas próximas do zero absoluto -- ponto que, segundo os princípios
fundamentais da termodinâmica, é inatingível. Por isso mesmo, os materiais
empregados foram muito específicos e os resultados evidenciaram as
consideráveis dificuldades de aplicação prática.
Temperatura e clima. A medição sistemática de temperatura, feita nos postos
meteorológicos, tem a finalidade de registrar o regime térmico, ou seja, a
evolução da temperatura no decorrer de um período (dia, mês, ano) num
determinado lugar, e fornecer elementos para as cartas isotérmicas, mapas que
mostram a distribuição geográfica da temperatura em relação a uma região,
país, continente ou a toda a superfície da Terra. Essa distribuição depende
fundamentalmente da latitude, da divisão de terras e águas entre um e outro
hemisfério e das correntes marítimas.
De acordo com Wladimir Köppen, são cinco as zonas térmicas da Terra: (1)
tropical, com temperaturas elevadas durante o ano todo e média térmica sempre
superior a 20°C; (2) subtropical, onde a média térmica é inferior a 20°C num
período mínimo de um mês e máximo de oito meses; (3) temperada, que apresenta
temperaturas inferiores a 20°C durante oito meses ao ano no mínimo, e
sensíveis diferenças entre as quatro estações do ano; (4) fria, com média
térmica superior a 10°C apenas durante quatro meses; e (5) polar, com
temperatura sempre inferior a 10°C.
À medida que a altitude aumenta, a temperatura costuma diminuir na razão de
1°C para cada 150 ou 200m; é o chamado gradiente de temperatura. Em algumas
situações, no entanto, verifica-se exatamente o contrário; em regiões
montanhosas, nas áreas cobertas de neve ou mesmo fora delas, durante certas
madrugadas muito frias em pleno inverno, a temperatura aumenta na proporção em
que aumenta a altitude.
Esse fenômeno, conhecido como inversão térmica, tem grande importância na
meteorologia. Por meio dele se pode detectar a formação de nuvens e
precipitações e determinar a visibilidade. A inversão térmica funciona como
uma tampa que veda o movimento vertical do ar nas camadas abaixo dela.
Em conseqüência, a convecção produzida pelo aquecimento do ar por baixo fica
limitada aos níveis sob a inversão. Isto também faz acumular poeira, fumaça e
outros poluentes, que não conseguem se expandir. Além de todos esses fatores
que prejudicam a visibilidade, há também a presença de neblina, já que o ar é
mais frio junto à base da inversão.
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